A morte trágica de uma idosa britânica de 83 anos chocou a todos pela forma que aconteceu: uma infecção em uma ferida que seu cão lambeu. June Baxter faleceu em julho após desenvolver uma infecção grave causada por uma bactéria presente na saliva de cães.

Embora muitas pessoas acreditem que a saliva dos cães possui propriedades curativas – um mito perpetuado por séculos – a realidade científica é bem diferente. A boca dos cachorros abriga diversas bactérias que podem causar infecções severas quando entram em contato com feridas abertas, especialmente em pessoas com sistema imunológico comprometido.
Este caso não é isolado, compreender os riscos, e saber como agir em situações parecidas pode fazer a diferença entre um incidente menor e uma tragédia.
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O caso que chocou a Inglaterra: morte por lambida de cachorro
June Baxter estava em sua residência em Attleborough, na Inglaterra, quando sofreu um corte na perna ao usar o vaso sanitário. Sozinha no momento do acidente, ela não conseguiu impedir que o cachorro da família lambesse a ferida aberta. Quando sua neta chegou, encontrou o cão ainda lambendo o machucado, sem imaginar o desfecho fatal.
Apesar da rápida intervenção de paramédicos, que fizeram curativos e reposicionaram a pele com pinças, a condição de Baxter se deteriorou rapidamente. No dia seguinte, ela foi hospitalizada, e exames laboratoriais revelaram a presença da Pasteurella multocida, uma bactéria comumente encontrada na saliva de cães e gatos. Esta descoberta confirmou que o cachorro lambendo a ferida havia sido o gatilho para a infecção.
Em apenas oito dias, Baxter desenvolveu sepse (uma resposta inflamatória sistêmica grave) que levou a complicações em múltiplos órgãos, incluindo rins, fígado e coração. O Tribunal do Legista de Norfolk classificou o óbito como “morte acidental”, destacando que, embora a idosa fosse determinada, sua saúde já estava debilitada, tornando-a mais vulnerável aos efeitos devastadores da infecção.
Por que cachorro lambendo ferida pode ser perigoso?
A boca dos cachorros é um ambiente rico em microorganismos, abrigando mais de 600 tipos diferentes de bactérias. Entre elas, a Pasteurella multocida é uma das mais preocupantes quando se trata de feridas abertas. Esta bactéria, presente em até 90% dos cães saudáveis, pode causar infecções localizadas que rapidamente se espalham pela corrente sanguínea.
Quando um cachorro lambe uma ferida, ele introduz essas bactérias diretamente no tecido lesionado, onde encontram condições ideais para proliferação. O ambiente quente e úmido da ferida, combinado com a presença de sangue e outros fluidos corporais, cria um cenário perfeito para o crescimento bacteriano descontrolado.

Além da Pasteurella multocida, outras bactérias perigosas podem estar presentes na saliva canina, incluindo Staphylococcus, Streptococcus e até mesmo espécies resistentes a antibióticos. O risco aumenta significativamente quando a ferida é profunda, quando há demora no tratamento adequado, ou quando a pessoa possui fatores que comprometem sua capacidade de combater infecções.
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O que fazer se o cachorro lamber sua ferida
Se um cachorro lamber uma ferida, o primeiro passo é interromper o contato imediatamente e lavar a área afetada com água corrente abundante por pelo menos cinco minutos. Use sabão neutro para remover o máximo possível de saliva e bactérias da superfície da ferida.
Após a lavagem inicial, aplique um antisséptico adequado, como álcool 70% ou iodo povidona, seguindo as instruções do produto. Cubra a ferida com um curativo limpo e seco para protegê-la de contaminação adicional. É importante trocar o curativo regularmente e manter a área sempre limpa e seca.
Procure atendimento médico o mais rapidamente se perceber qualquer sinal de infecção. O profissional de saúde poderá avaliar a necessidade de antibióticos profiláticos e orientar sobre cuidados específicos. Não hesite em buscar ajuda, o tratamento precoce é fundamental para prevenir complicações graves.