Pular para o conteúdo

Doenças cardíacas em cães e gatos: como prevenir?

cão no hospital

O coração de um cão ou de um gato pode falhar sem muito alarde. Nas fases iniciais, o animal segue comendo, brincando e dormindo como sempre, e o tutor atribui qualquer mudança à idade ou ao calor. Só que as doenças cardíacas afetam 10% dos cães e 15% dos gatos, segundo pesquisa da AniCura, e são a quarta causa de morte mais comum entre os cães.

Reconhecer os primeiros sinais, entender o que aumenta o risco e saber qual é o papel da alimentação e dos exames faz diferença no diagnóstico e na qualidade de vida do pet. Veja o que observar.

Os 9 sinais de alerta de problemas no coração

Nenhum sinal isolado confirma uma doença cardíaca, mas a persistência de um deles, ou a combinação de vários, pede consulta veterinária. Fique atento a:

  1. Cansaço fora do normal;
  2. Intolerância ao exercício: o pet para de brincar ou de passear antes do habitual;
  3. Respiração mais rápida ou difícil, inclusive em repouso;
  4. Tosse;
  5. Fraqueza;
  6. Episódios de desmaio;
  7. Redução do apetite;
  8. Perda de peso;
  9. Aumento do volume abdominal.

Um hábito simples ajuda: contar quantas respirações o pet faz por minuto enquanto dorme. De modo geral, valores acima de 30 de forma repetida merecem ser levados ao veterinário. Em gatos, respirar de boca aberta é sempre sinal de emergência.

Doenças cardíacas mais comuns em cães e gatos

O tipo de problema varia conforme a espécie, a idade e o porte do animal.

Nos cães

Uma das principais é a doença valvar degenerativa, que provoca o desgaste progressivo das valvas do coração, principalmente a mitral. A válvula deixa de fechar direito, o sangue volta no sentido errado e o coração trabalha sobrecarregado. É mais frequente em cães pequenos e idosos.

Outra é a cardiomiopatia dilatada, em que o músculo cardíaco enfraquece, se dilata e perde a capacidade de bombear o sangue de forma eficiente. Costuma ser mais associada a raças grandes.

Nos gatos

Uma das alterações mais frequentes é a cardiomiopatia hipertrófica, que provoca o espessamento das paredes do coração e dificulta o bombeamento de sangue. O quadro pode evoluir para insuficiência cardíaca ou para tromboembolismo, em que um coágulo obstrui a circulação, geralmente causando dor súbita e dificuldade para usar as patas traseiras.

Como gatos tendem a esconder o desconforto, a doença às vezes só é percebida quando já está avançada.

Fatores que aumentam o risco cardiovascular

Idade avançada, predisposição genética e racial, obesidade, sedentarismo, alterações nutricionais e algumas doenças sistêmicas elevam a chance de problemas no coração.

Nem todas as doenças cardíacas podem ser prevenidas, principalmente as ligadas à genética e à idade. Ainda assim, peso, nível de atividade e dieta são fatores que o tutor consegue controlar. Quem tem um cão ou gato de raça predisposta ganha tempo ao conversar com o veterinário sobre avaliação cardiológica desde cedo.

Alimentação como aliada do coração

A alimentação tem papel importante na manutenção da saúde cardiovascular, explica o médico-veterinário Guilherme Gonçalves, parceiro da Quinta Pet. Segundo ele, a dieta deve fornecer energia suficiente para manter o peso saudável e garantir proteínas, gorduras, vitaminas e minerais nas quantidades e proporções adequadas.

Controlar o excesso de calorias é essencial, já que a obesidade está associada a alterações metabólicas que aumentam a sobrecarga do organismo. Também pedem atenção o equilíbrio de minerais e eletrólitos, como sódio, potássio e magnésio, e a qualidade dos ácidos graxos da dieta. Em situações específicas, nutrientes como taurina e certos ômega-3 podem entrar na estratégia nutricional.

A necessidade de cada nutriente depende da espécie, da idade, da condição clínica, do estágio da doença e da dieta utilizada. Por isso, suplementar sem orientação não é uma boa ideia.

Nos pets que já têm doença cardíaca, a dieta precisa ser individualizada de acordo com o tipo de doença, o estágio clínico, a presença de outras enfermidades e os medicamentos em uso. Pode ser necessário ajustar o sódio, controlar a energia para evitar excesso de peso e adequar proteínas e minerais.

Erros comuns na dieta de pets cardiopatas

Segundo o especialista, alguns deslizes se repetem entre os tutores:

  • Simplesmente retirar o sal da alimentação, sem avaliar o restante da dieta;
  • Oferecer dieta caseira sem formulação adequada;
  • Usar suplementos por conta própria, sem considerar possíveis interações com a doença ou com os medicamentos.

A lógica por trás de todos eles é a mesma: tratar a comida como um detalhe. Para o veterinário, ela faz parte do tratamento.

“A alimentação do paciente cardiopata deve ser encarada como parte do tratamento e, sempre que possível, planejada individualmente pelo médico-veterinário, em conjunto com o acompanhamento cardiológico”, frisa Guilherme Gonçalves.

Prevenção e exames que ajudam a detectar cedo

Consultas veterinárias periódicas, controle do peso, atividade física compatível com a condição do animal e alimentação equilibrada reduzem fatores de risco e favorecem a detecção precoce de alterações. Os passeios diários, por exemplo, ajudam a manter o peso e a rotina de exercícios dos cães.

Dependendo da idade, da raça, do histórico e dos achados do exame físico, o veterinário pode pedir exames complementares: aferição da pressão arterial, exames de sangue, eletrocardiograma, ecocardiograma e exames de imagem. Quem define quais fazem sentido é o profissional, caso a caso.

O especialista alerta que “a avaliação individualizada é fundamental, pois não existe um único protocolo de prevenção cardiovascular que seja adequado para todos os cães e gatos”. Na prática, isso significa que pets idosos, de raças predispostas ou que já apresentem algum dos sinais acima devem ter o coração avaliado com mais atenção.

Fonte: Portal Pet On

Foto de Redação PDD
Postado por
Redação PDD
Siga em:
Compartilhe

Assine nosso Newsletter

Assine nossa newsletter e receba em seu e-mail nossa seleção de conteúdo com dicas e curiosidades sobre cães.

Veja também