Já faz quase quatro décadas desde que a doença canina Alabama Rot se tornou conhecida pelas pessoas. 

O primeiro caso ocorreu em galgos que viviam no Alabama na década de 1980 e, inclusive houve um surto mais recente no Reino Unido, deixando os tutores bastante preocupados. 

Até hoje os veterinários e criadores não conseguem compreender muito bem os mecanismos da doença, o que é ainda mais preocupante. 

De qualquer forma, desde a descoberta dela, a ciência evoluiu bastante e, atualmente já se sabe bastante sobre mecanismos de prevenção. 

cachorro com dor

Cão doente na coberta – Foto: Freepik

O mais importante é saber que o problema existe e, que é essencialmente grave. Somente assim é possível evitar que aconteça com o seu animal ou identificar os sinais precocemente. 

Então, se você deseja saber mais sobre a Alabama Rot, continue lendo este post até o final. 

O que se sabe sobre a Alabama Rot hoje? 

Conhecida como vasculopatia glomerular cutânea e renal, a Alabama Rot é uma doença conhecida apenas até um certo ponto. 

O que se sabe é que o animal doente tem ulcerações nas extremidades do corpo, como nas patas e cauda. 

Além disso, o quadro se desenvolve para uma doença renal bastante significativa clinicamente, que tem evolução rápida e pode causar grandes danos ao animal. 

Os primeiros relatos da doença foram de um cão galgo nos Estados Unidos, um Dogue Alemão na Alemanha e um Greyhound no Reino Unido.

Cachorro doente

Cachorro doente – Foto: Freepik

Mesmo que a doença tenha surgido na década de 1980 nos Estados Unidos, começaram a aparecer vários casos no mundo. 

A partir de novembro de 2012, mais de 180 cachorros foram diagnosticados com a doença no Reino Unido. 

Os achados clínicos de todos eles se assemelham bastante ao que se viu mais de trinta anos atrás nos Estados Unidos. 

E não são apenas esses casos do Reino Unido que preocupam. A frequência anual de casos está aumentando a cada ano. 

Em todos os casos, aparecem primeiramente lesões nas porções mais distais do corpo, ou seja, nas extremidades. 

Isso acontece tanto nos membros quanto na cavidade oral, ou focinho, do animal. O tutor geralmente observa esse tipo de sinal mais ou menos uma semana antes de começarem a aparecer os problemas renais. 

Alabama Rot e a doença renal 

cão doente deitado no chão

Cão doente deitado no chão – Foto: Freepik

Um dos principais sinais atribuídos à doença Alabama Rot é a doença renal, devido principalmente à microangiopatia trombótica. 

Ou seja, acontecem danos ao endotélio vascular devido principalmente à inflamação, o que leva à coagulação e formação de trombos. 

Muitos animais também se tornam azotêmicos devido ao quadro da doença. Basicamente, a azotemia se caracteriza por concentrações bastante elevadas de produtos nitrogenados, sobretudo ureia, creatinina, ácido úrico e, também proteínas no sangue. 

Isso interfere diretamente na filtração glomerular que acontece nos rins, o que pode ocasionar danos que progridem rapidamente, até se tornarem irreversíveis. 

Muitas vezes é possível perceber que os rins possuem nódulos na sua região mais cortical. Devido a esse desequilíbrio renal, pode ocorrer hipertensão arterial. 

Sinais clínicos

Alabama Rot

Cachorro doente olhando para seringa na mão do veterinário. Foto: Freepik

É extremamente importante saber identificar os sinais clínicos da Alabama Rot para levar o animal a um serviço veterinário o mais rápido possível. 

Da mesma forma, o profissional também deve ser hábil em identificar os sinais e realizar o diagnóstico e o tratamento adequados rapidamente. 

Então, falando especificamente dos sinais clínicos, é comum que o animal apresente: 

  • Lesões nas extremidades do corpo (membros, cauda e focinho); 
  • Febre; 
  • Mal estar ou letargia; 
  • Anorexia ou redução significativa da ingestão de alimentos; 
  • Vômito e diarreia; 
  • Alteração na ingestão de água e frequência de micção. 

Muitas vezes esses sinais se confundem com os sintomas bastante comuns em outros problemas de saúde. 

Por isso, p tutor deve estar bem atento e perceber a gravidade da situação, buscando rapidamente por uma solução. 

Diagnóstico e tratamento da Alabama Rot 

Antes de mais nada, o médico veterinário deve fazer uma avaliação física bem geral do animal para determinar o seu estado de saúde e identificar possíveis problemas. 

As lesões nas extremidades geralmente fazem com que o profissional desconfie da possibilidade de ser Alabama Rot. 

Mas apenas isso não é o suficiente e, portanto, é necessário analisar mais profundamente. Assim, o profissional pode solicitar exames histopatológicos da pele e, também dos rins. 

Alabama Rot

Cachorro triste deitado. Foto: Freepik

De acordo com as suas necessidades, o profissional pode solicitar um ultrassom dos rins e avaliação microscópica de amostras da pele. 

Recomenda-se ainda colher sangue do animal, para que se tenha uma noção mais geral do estado de saúde do cão. 

É especialmente importante analisar os resultados para os exames relacionados aos rins, com o intuito de diagnosticar uma doença renal que esteja se desenvolvendo. 

Os resultados também são muito importantes porque dão uma ideia do quanto os rins foram acometidos, ou seja, de qual é a gravidade e se há uma insuficiência. 

Quais cães podem ter Alabama Rot? 

Se você tem um cãozinho de estimação, é bem provável que já esteja preocupado para saber se o seu animal pode ter Alabama Rot. 

Inicialmente, os profissionais observaram a doença em cães galgos, mas conforme foram surgindo mais casos, se percebeu que isso não parece ter relação com a raça do animal. 

No reino unido, percebeu-se a doença inicialmente em Greyhounds, mas depois começaram a aparecer casos relacionados a outras raças. 

Alabama Rot

Cachorro no veterinario. Foto: Freepik

Segundo os profissionais, qualquer raça está sujeita ao problema, mas os cães de caça e pastores parecem apresentar um risco maior. 

Em relação à sazonalidade, percebeu-se que mais do que 90% dos casos observados foram diagnosticados entre os meses de novembro e maio, que são mais frios no hemisfério norte. 

A localização dos casos também parece ser mais ou menos semelhante, sendo relacionados a ambientes de floresta. 

No Brasil essa doença é praticamente desconhecida, mas de qualquer forma, é importante estar atento aos seus sinais para saber identificar caso ela aconteça. 

A rapidez da intervenção para tratamento é fundamental para que o animal tenha uma maior probabilidade de se curar. 

Na maioria dos casos o prognóstico é ruim e a evolução é rápida. Mesmo assim, com o manejo adequado e tratamento intensivo, é possível devolver a qualidade de vida e recuperar a função renal nos animais. 

A forma como o surto da doença se deu no Reino Unido mostra que parece que o mundo está lidando com uma possível doença emergente de grande gravidade. 

Para onde está se espalhando?

Alabama Rot

Cachorro na mata com cobertor. Foto Freepik

Desde que o primeiro caso de Alabama Rot foi diagnosticado na década de 1980, os profissionais de saúde começaram a expressar a sua preocupação devido à gravidade dos sintomas que surgem e a evolução do quadro. 

Depois disso, nos últimos anos no Reino Unido houve um grande surto da doença, sendo que se sabe de mais de 180 animais doentes desde 2012. 

De 2018 para cá se tem notícia de pelo menos 22 mortes. E pelo que se observa, essa é uma doença emergente, que tem potencial de se espalhar para outras localidades e por isso merece a atenção dos tutores, veterinários e autoridades. 

 No momento, a doença ainda é considerada rara, mas isso não quer dizer de forma alguma que não possa se espalhar. 

Ainda mais considerando-se que hoje em dia o fluxo de pessoas e de animais pelo mundo é bem intenso, provocando assim a disseminação mais rápida de vírus e outros microrganismos pelo mundo. 

Sendo assim, mesmo que no Brasil a doença ainda não seja muito conhecida, é fundamental que os tutores tenham conhecimento sobre ela e, estejam preparados para um eventual surto. 

O mesmo vale para os médicos veterinários, que precisam de conhecimentos prévios sobre isso para diagnostico e tratamento adequados. 

O que provoca a Alabama Rot? 

As causas exatas a da Alabama Rot não são muito bem descritas, mas pelo que se imagina, a doença é ocasionada por vírus ou bactérias nocivas. 

Nem a forma de contágio e nem de disseminação da doença não são bem conhecidas. Contudo, observando-se os casos conhecidos, parece que podem ter relação com corpos d´água ou poças. 

É bem provável que esses microrganismos fiquem em locais úmidos e, que quando os animais passarem por essas áreas, acabam contraindo a doença de alguma forma. 

O mais óbvio é que o cão pegue a Alabama Rot ingerindo água contaminada. Apesar disso, também existe a hipótese de contágio por contato físico com essas águas. 

De acordo com os profissionais que trabalham com o acompanhamento dos casos, pode existir um vínculo entre esses casos e as áreas de floresta ou mata. 

Isso porque é bem comum que os animais contaminados tenham histórico de passeios por esses locais. 

Mas também há animais doentes que não frequentam esses locais e mesmo assim contraem o patógeno. 

Dessa forma, a Alabama Rot ainda é bastante desconhecida e não se pode afirmar plenamente como o contágio acontece. 

Espera-se que por meio de estudos seja possível desvendar o problema em breve. 

Como prevenir a doença no meu cachorro? 

A Alabama Rot é uma doença grave, que preocupa os veterinários e tutores de animais. O maior problema aqui é que como as formas de contágio não são bem conhecidas, também não é possível descrever as formas de prevenção do problema. 

O mais importante é que não há nenhum motivo para pânico. Até o momento os casos se limitam ao Reino Unido. 

E mesmo por lá, a quantidade de casos é bem pequena em comparação à população canina geral. 

Sendo assim, essa ainda é uma doença rara, que acomete pouquíssimos animais por ano. Então, não é preciso ter medo e nem alterar os planos de passeios e caminhadas na mata com o animal. 

Apenas evite que ele beba água suja, afinal de contas, isso é importante para evitar muitos outros problemas de saúde, e não apenas o Alabama Rot. 

Outro conselho interessante é que o tutor remova os excessos te terra e lama do corpo do cão após os passeios. Mas isso também é recomendado por questões de higiene. 

Melhores opções de tratamento 

Mais uma vez, deve-se levar em consideração que a Alabama Rot é uma doença que não foi completamente descrita e desvendada ainda. 

Por isso, fica complicado diagnosticar e tratar adequadamente. De qualquer forma, sabendo que o problema se manifesta principalmente por meio de feridas nas extremidades do corpo e outros sinais, como prostração, é preciso estar atento. 

Ao se perceber o menor sinal do problema, é fundamental levar o animal ao veterinário para se iniciar uma investigação adequada. 

Chegar ao serviço de saúde animal precocemente é fundamental para salvar a vida do cachorro. 

A doença evolui rapidamente e, infelizmente, apenas e em cada dez cachorros conseguem ter todo o tratamento de que necessitam. 

Infelizmente, ainda não se sabe como evitar a doença completamente e, nem existe uma vacina para ela. 

De qualquer maneira, é possível tratar as feridas e reverter a doença renal com medicamentos de uso direcionado para isso. 

Converse com o veterinário do seu animal imediatamente se você perceber os possíveis sinais da doença, ok? 

Assim, com o manejo correto é possível reverter o quadro e devolver a saúde e qualidade de vida ao seu pet. 

É preciso me preocupar se o meu cão tiver Alabama Rot 

Como já foi dito, o número de casos descritos de Alabama Rot é muito pequeno em comparação ao número total de cachorros que existem no Reino Unido. 

Mesmo que você more no local, não tem com o que se preocupar. Apenas fique atento ao surgimento dos possíveis sinais. 

Mas se você mora com o seu pet em outro local, como no Brasil, saiba que por aqui não existem casos por enquanto. Então, relaxe. 

Se por acaso o seu cão já pegou Alabama Rot e foi diagnosticado, tente manter a calma. Apesar de a evolução do quadro ser rápida, hoje em dia se tem muita tecnologia em termos da medicina veterinária. 

Existem medicamentos muito eficazes, bem como outras formas de tratamento que podem ajudar. 

E se o diagnóstico tiver sido precoce, as chances de salvar a vida do cão são grandes, desde que ele esteja sob os cuidados de um bom profissional. 

A Alabama Rot é uma doença preocupante, mas que atualmente se limita ao Reino Unido. De qualquer forma, se atente aos sinais e, caso os identifique no seu cão, leve-o ao veterinário imediatamente.