22 maio 2017 - 21:53

Madruguinha

Tutor(a): marcia zamboni

“Conheci o Madruguinha quando ele tinha por volta de 3 meses e foi resgatado de um atropelamento e deixado numa clínica veterinária aqui em Parnaíba no Piauí. A pessoa que o socorreu deu informações erradas para que não tivesse que assumir a responsabilidade da dívida do tratamento nem ter que ficar com esse “problema”.
Como sou voluntária de uma ONG aqui da cidade, fui chamada pela Dra Juliana para que ajudasse a encontrar um lar para esse peludo.

Na primeira vez que o vi, já senti algo diferente no seu olhar, talvez ele estivesse me pedindo socorro, ou talvez já tenha sentido algo mais forte, acho que ele pressentiu que juntos poderíamos nos ajudar. Resolvi trazê-lo para minha casa, apesar de estar muito assustada com duas coisas: o fato de não saber cuidar de um cachorro paralítico e o fato de ter que terminar adotando-o porque tinha certeza de que ninguém iria aparecer para levá-lo.
Fiz sua campanha e para minha surpresa no primeiro dia apareceu uma moça querendo ficar com ele. Lembro até hoje de suas palavras quando olhou bem nos olhos do Madruguinha: “VOCÊ ME ACEITA?”. Emocionante não é?

Madruguinha ficou na sua nova casa por 3 meses, mas infelizmente a mamãe dele ficou doente e precisou ir para São Paulo fazer um tratamento que durou 6 meses…
Bom, aceitei ficar como lar temporário com o Madruguinha.
Logo nos primeiros dias comecei a perceber que cuidar de um cachorro especial precisa de alguns cuidados especiais também…
Madruguinha andava se arrastando e eu não achava isso muito bom, mesmo porque as patas traseiras começaram a sangrar com os ferimentos causados pelo atrito no cimento. Então resolvi partir para a cadeirinha que permitiu que ele ganhasse independência: passou a correr, brincar, latir muito mais… Estava voltando a ser um cachorro feliz.
Com a cadeirinha tudo mudou e acredito que nem o Madruguinha lembre que tem alguma deficiência.

A moça que havia adotado o Madruguinha voltou depois de 6 meses de tratamento e veio buscá-lo. Foi muito difícil a separação mas eu não tinha como evitar. Meu pequeno foi embora, a casa ficou vazia. Meus outros cachorros ficaram tristes e eu mais ainda. E o pior: Madruguinha parou de comer, recusava água e estava em depressão. Então resolvi pedi-lo de volta e consegui.
Hoje, Madruguinha é minha grande paixão… não imagino minha vida sem ele. Cumplicidade, lição de vida, um privilégio que é para poucos.”
Márcia Zamboni