23 jun 2015 - 18:32

Vitor

Tutor(a): Caroline Pires

Eu tinha um lar, mas meus pais me abandonaram e eu não entendi o porquê. Fiquei vagando muito triste, com saudade de casa e como eu não tinha costume de andar sozinho, fui atropelado! Um carro me acertou em cheio e fiquei ali, gemendo de dor e esperando que alguém me ajudasse. Um garotinho de bicicleta apareceu e eu fiquei feliz, pois alguém ia me salvar. Mas então, ele passou com sua bicicleta em cima da minha coluna e eu não conseguia acreditar que o mundo era tão cruel! Eu urrava de tanta dor e tia D’Ajuda me buscou! O nome dela é de anjo, não é gente? Ela me levou para um tio veterinário e ele me disse que eu nunca mais ia andar. Nessa hora eu já não sentia mais tanta dor, e este mesmo tio, disse que talvez fosse melhor me sacrificar, por que é muito difícil encontrar um lar adotivo quando a gente é meio dodói. Como eu já tinha perdido a esperança do mundo, havia pensado que realmente esta era a melhor saída, mas para a tia não, ela entrou em contato com o Instituo A Voz dos Bichos, e eles prontamente foram em busca de um F.A.T. Foi nesse momento que a minha mãezinha apareceu!
Minha mãezinha tinha recém saído do emprego dela, e ia entrar em outro, mas durante um mês inteirinho ia ficar em casa. Ela ia ficar comigo, me cuidando até eu ficar bem e conseguir ser adotado. Eu cheguei muito triste, eu tinha uma tristeza no olhar tão grande, sabe tios? Eu sofri muito nessa minha vida canina, e não esperei que a minha mamãe fosse me dar tanto amor! Ela lutou comigo, fez fisioterapia, me deu banho, trocava minha fralda todos os dias, me limpava, me dava amor, me cantava músicas de ninar, me dava beijo de boa noite todos os dias e eu comecei a amar ela de volta. A minha mãe ficou muito feliz quando pela primeira vez eu a olhei no olho e dei um lambeijo BEEEM gostoso! A gente então começou a lutar juntos e eu fiz uma surpresa pra ela!! Eu acordei um dia embaixo da janela da minha avó! Ela não acreditou quando viu, porque até então eu não podia andar, mas mal sabe ela que eu já estava andando, meio tortinho, mas sim!
Depois, quando ela foi me dar banho, eu sai correndo! Não queria tomar banho aquele dia, né tios? Banho é ruim hahahaha. Dai então, depois desse dia, não ficava mais quieto! A minha mãe tinha que brigar comigo pra eu ficar quietinho, pra não prejudicar a minha recuperação! Mas sou serelepe mesmo e estava MUITO feliz com todo aquele amor e eu tinha ganhado um irmãozinho também. A mamãe tinha adotado ele um tempo antes.
Mas então, a mamãe recebeu uma ligação, O Instituto queria saber se a minha mãe e minha vozinha ficariam comigo. A mamãe ligou pra vovó e perguntou, porque ela não morava sozinha né? A vovó chorosa, disse que só deixaria me adotar, se a pessoa fosse muito legal comigo! Mas daí ela desistiu da ideia na mesma hora, pq ela me amava de montão, assim como eu amava muito a minha nova família e agora estamos juntos, pra sempre!
A mamãe chora sempre que lembra dessa história, porque eu encho ela de amor, de lambeijo e de dengo! Ela me diz que sou o anjo dela, VITORioso!

O Vitor foi encontrado pela doce alma D’Ajuda e o trouxe a conhecimento do Instituto A Voz dos Bichos. Ele havia sido atropelado por um carro, e como se não fosse o suficiente, uma criança, com sua bicicleta, passou por cima de sua coluna e agravou ainda mais a situação dele.
O médico veterinário havia desenganado, ele não se recuperaria e jamais voltaria a andar novamente, e por falta de FAT ele ficou fadado a ser sacrificado. Mas no coração das meninas do instituto esta não era a solução e tentaram arrumar, novamente, um FAT para ele. Pois é, desta vez eu vi e prontamente conversei com minha mãe para trazê-lo para casa.
Ele chegou no dia 20 de julho. Chegou tão cabisbaixo, sequer olhava para os lados. Estava triste e amargurado com o mundo que o tratou tão mal. Sim, dava para ver isto em seu olhar…mas com muito amor, muito carinho e com a ajuda deste anjo que o encontrou, a D’Ajuda, ele foi ficando forte e chegou o momento de adaptação com o meu outro cachorro, o Enzo. Foi difícil, pois ambos ficaram enciumados um com o outro. Quando o Enzo chegava perto dele, ele rosnava e o queria morde-lo e o Enzo, como filhote o adorava perturbar.
O Vitor, quando chegou, usava fralda, pois não tinha como se sustentar em suas pernas (foi o que pensamos). Uma bela noite, eu levantei e o vi embaixo da janela do quarto da minha mãe. Fiquei abismada, como ele poderia ter chegado lá? Eu o coloquei de volta a sua caminha, que por sinal era até muito longe, e fui dormir novamente. Quando levantei de manhã cedo, o peguei andando!!! Imagine como eu não fiquei feliz, foi mágico! Claro que ele ainda estava com muitas dores, e quase não conseguia se sustentar em suas pernas, mas ele tentou, e muito! Depois deste dia era difícil mantê-lo quieto, afinal de contas ele não podia andar tanto para não prejudicar sua recuperação. Hoje em dia ele e o Enzo que se tornaram não apenas amigos, mas cúmplices de bagunça, correm e pulam pela casa. E eu, que era apenas um FAT não pude deixar de me render, assim como a minha mãe, aos encantos deste cãozinho que é um VITORioso! Como eu o amo!!