A atopia canina é um dos principais motivos de coceira excessiva nos animais domésticos e, então, pode ser que o seu animalzinho seja atópico e você nem saiba.

Se a pele dele estiver sempre lesionada e avermelhada, esse é um dos principais sinais de que ele realmente pode estar com o problema e precise de ajuda.

Com origem genética, a atopia é influenciada também por fatores ambientais e pode causar muito desconforto aos animais e levar a complicações na pele.

Mesmo que não tenha cura, a atopia canina é controlável. Então, se você quer saber mais sobre essa condição, continue lendo esse texto.

O que é atopia canina?

A coceira pode ser um sintoma de alergia. (Foto: Freepik)

A atopia canina é um desafio enorme para a medicina veterinária, bem como para os próprios tutores.

Isso porque a condição deixa os animais extremamente incomodados, diminuindo muito a qualidade de vida deles e, não tem uma cura específica.

Mas com o tratamento adequado e aliando os tutores aos médicos veterinários, é possível devolver essa qualidade de vida aos nossos animais.

Mas para que isso seja possível, é necessário compreender bem o mecanismo da doença e, o primeiro ponto importante é que essa é uma condição de origem genética.

A dermatite atópica afeta a barreira de proteção da pele do animalzinho e, então ocorre uma resposta imunológica exagerada.

O que acontece basicamente é que o sistema de defesa do animal começa a ver qualquer coisa como sendo uma ameaça, provocando então uma hipersensibilidade.

Sendo assim, para um cão atópico, praticamente qualquer coisa pode desencadear uma alergia. Isso inclui produtos de limpeza, poeira, ácaros, pólen e fumaça.

Ademais, as mudanças que acontecem na superfície da pele fazem com que ela perca água em excesso, o que leva a um ressecamento.

Estudos demonstram que a atopia canina se manifesta entre os 6 meses e 7 anos de idade do animalzinho.

Apesar dessa faixa etária ampla, a maioria demonstra sinais nítidos entre 1 e 3 anos de idade. Além disso, existem raças com uma maior predisposição, como: Shih Tzu, Lhasa Apso, Shar Pei, Labrador, Golden Retriever, Buldogue Inglês, Pug, Boxer.

De qualquer maneira, esse problema de pele pode acometer animais de qualquer raça, inclusive os mestiços. Por isso, é sempre bom ficar bem atento.

Sinais da Dermatite Atópica em cães

Coceira e feridas no cachorro

Ferida aberta na pele do cachorro depois de se coçar muito – Foto: Freepik

Como você pode perceber, por mais que muitas pessoas pensem que essa seja uma condição simples, a atopia canina é uma doença que pode causar muitos prejuízos aos animaizinhos.

Sendo assim, o primeiro passo para ajudar o seu pet é conhecer os principais sinais e saber identificar adequadamente a condição.

É fácil imaginar que o ponto principal da atopia canina seja justamente a coceira. No entanto, existem outras coisas que podem acontecer e, fazer com que você desconfie de que a atopia canina está presente.

No entanto, associado a essa coceira, é possível perceber que o pet também tem condições associadas.

Os animais atópicos podem ter doenças secundárias, que incluem lesões e infecções de pele, uma vez que pode ocorrer contaminação bacteriana nelas.

As lesões são mais frequentes em áreas como a genitália, patas e axilas, mas podem se espalhar pra qualquer lugar.

Também podem ocorrer outras doenças associadas, como as oculares e respiratórias, por exemplo.

Mesmo com esses sinais mais comuns, é importante ter atenção à condição geral do animalzinho, uma vez que em alguns cães apresentam sinais diferentes.

Pesquisas feitas com atopia canina mostram que no Buldogue Inglês o sinal mais relevante é a presença de edema nas patas juntamente com as lesões.

Identificando a atopia canina

atopia canina

Infecção na pele de cachorro causada por alergia – Foto: Freepik

Quando o assunto é a atopia canina, existem muitos sinais típicos e, é importante compreender cada uma. Então, veja a seguir as principais:

  • Coceira: além de ver o animal se coçando usando as patas traseiras, ele pode também ficar arrastando a cabeça no chão com força ou, morder as patas com muita frequência;
  • Pele avermelhada: o próprio processo alérgico faz com que a pele do animalzinho fique com uma aparência avermelhada, como se estivesse inflamada;
  • Otites recorrentes: são as infecções de ouvido que mesmo quando tratadas, sempre acabam voltando;
  • Pústulas: são aquelas bolinhas que surgem, causando ainda mais coceira no pet;
  • Alopecia: é a perda de pelo que pode ocorrer de maneira mais generalizada ou em regiões mais concentradas do corpo do animal;
  • Hiperpigmentação: a pele fica mais escura nas áreas acometidas pela alopecia canina;
  • Infecções de pele: as feridas podem ser contaminadas por bactérias;
  • Conjuntivite e catarata: os problemas oculares também são muito frequentes nos casos de alopecia canina;
  • Rinite: também costumam ocorrer problemas respiratórios em geral.

Obviamente, para que um animal seja considerado atópico, ele não precisa apresentar todos os sinais.

O médico veterinário especializado deve avaliar a condição detalhadamente e, assim chegar a um diagnóstico adequado.

O diagnóstico da atopia canina é um grande desafio

atopia canina

Cão no veterinário – Foto: Freepik

Falar sobre a atopia canina pode parecer algo bem básico. No entanto, fazer o diagnóstico correto é um enorme desafio.

Isso porque existem várias condições que podem levar o pet a ter coceira, seja ela localizada ou generalizada.

Sendo assim, o diagnóstico requer tempo, uma vez que o profissional veterinário deve ter bastante cuidado e paciência para descartar outros tipos de alergias, como aquela às picadas de pulgas, alergias alimentares e infecções de pele em geral.

É importantíssimo que o profissional comece com um exame físico completo e detalhado, analisando as lesões e as condições gerais do pet.

A localização e o aspecto das lesões devem ser levados em conta. E o médico deve realizar um raspado de pele, bem como um imprint para a realização da citologia (análise celular).

Esses dois exames de pele são extremamente importantes para a identificação da presença de fungos e bactérias em geral.

É preciso identificar quais são os microrganismos presentes nas lesões, para então ser possível escolher uma forma de tratamento adequada.

Mesmo antes de saírem os resultados desses exames, o profissional pode começar receitando alguns medicamentos que possam ajudar com as lesões e os incômodos da coceira.

Também é possível realizar testes específicos para alergias, eliminando assim essa possibilidade. Este tipo de teste é feito da mesma maneira que nos humanos, injetando vários tipos de alérgenos na pele e, então analisar qual é o nível de resposta.

Tratamento para Atopia Canina

atopia canina

Lavando o cachorro – Foto: Freepik

Como já foi dito, não existe um tratamento específico para a atopia canina, uma vez que essa é uma condição incurável.

Sendo assim, se este for realmente o diagnóstico obtido, o animal deverá ser tratado para o resto da sua vida para manter o controle adequado da condição.

O controle da atopia canina consiste basicamente em algumas vertentes especificas. São elas:

  • Tratamento dos sintomas utilizando-se medicamentos que aliviem a coceira e alergia, por exemplo;
  • Eliminar ao máximo quaisquer agentes que podem estar provocando alergia no animalzinho. Essa é a etapa mais complicada e desafiadora no controle da atopia.

Para ajudar um animal atópico, é preciso eliminar os possíveis causadores de alergia nele. Como você deve imaginar, isso não é nada simples.

É praticamente impossível eliminar qualquer agente que possa prejudicar o pet. Mas existem ações que podem melhorar consideravelmente em relação a isso. Veja a seguir o que fazer:

  • Controle de ácaros: evite ter carpetes na casa, além de melhorar a ventilação em todos os cômodos e, também colocar a cama do cachorro no sol;
  • Controlar o contato com pólen: sobretudo no início da primavera, você deve evitar levar o cãozinho em passeios ao ar livre, pois nessa época existe mais pólen disperso no ar;
  • Limpeza: utilize apenas produtos hipoalergênicos indicados pelo médico veterinário para higienizar toda a casa e o local onde o animalzinho dorme;
  • Imunoterapia: existem formas de aumentar a imunidade dos cães e, isso deve ajudar eles a terem menos crises;
  • A dieta é importantíssima no controle da atopia canina. Ela deve ser rica sobretudo em ômega 3 e ômega 6, que ajudam a deixar as barreiras da pele mais eficientes e resistentes.

Dúvidas sobre a atopia canina

atopia canina

cão mordendo a pele – Foto: Freepik

Quando um cachorro tem atopia canina, os tutores acabam tendo várias dúvidas sobre a condição do pet.

A seguir vamos esclarecer algumas questões sobre isso. Então, veja a seguir quais são as principais dúvidas das pessoas acerca da atopia canina.

1.      A atopia canina é uma condição genética? O que isso significa?

Sim, a atopia canina é uma condição hereditária, ou seja, pode passar de pais para filhos ao longo de gerações.

É por isso que existem raças que são bem mais propensas a isso. E a própria seleção artificial que o homem fez ao longo do tempo para purificar as raças acabou fazendo com que isso se tornasse cada vez mais comum.

Mas é claro que também há uma influência ambiental significativa. Ou seja, o pet vai ter mais ou menos problemas dependendo das substâncias com as quais entrar em contato.

2.      Existe uma predileção por raça?

Sim. Justamente porque a atopia canina é uma condição determinada geneticamente, existem algumas raças em que essa característica acontece com mais frequência.

Há séculos que o homem interfere na reprodução dos cães a fim de gerar raças diferentes. No entanto, obviamente isso pode fazer com que surjam problemas de saúde, como a atopia canina.

Apesar disso, a condição pode ocorrer em qualquer animal, uma vez que a característica pode surgir, até mesmo nos cães mestiços.

3.      Existe uma sazonalidade na Atopia Canina

Sim. Existem vários motivos que fazem com que a dermatite atópica canina seja uma doença predominantemente sazonal.

Nos meses mais quentes e úmidos é mais comum que haja um agravamento das condições associadas à DAC.

Isso porque a umidade e o calor favorecem o crescimento de microrganismos patogênicos, fazendo com que as lesões se agravem.

Dessa forma, mais ou menos 80% dos animais manifesta sinais mais intensamente em certas épocas do ano. Por isso, muitos profissionais consideram essa uma característica sazonal.

Existem ainda os 20% de cães que apresentam sintomas durante o ano inteiro. Mas mesmo nesses, a doença se agrava com o calor.

4.      Qual é a melhor abordagem nutricional?

Quando um animal é diagnosticado com dermatite atópica, é muito importante que o mpedico veterinário elabore uma boa estratégia de tratamento.

Além dos medicamentos, a própria alimentação do pet também deve ser vista com um coadjuvante nesse processo de tratamento.

Isso porque já se sabe que existem vários nutrientes que podem ajudar em muito na melhora do quadro do cão.

Sendo assim, deve-se escolher um alimento que seja completo, balanceado e perfeitamente adequado ao animalzinho.

Preferencialmente, deve-se selecionar uma ração que tenha uma composição específica para animais atópicos.

Essas rações são elaboradas com componentes que favorecem o fortalecimento da barreira da pele, protegendo em relação à entrada de patógenos e partículas que possam desencadear o quadro de atopia.

Além disso, esses alimentos geralmente reduzem a produção de citocinas pela pele, diminuindo possíveis reações.

Um cão atópico deve receber alimentos com níveis adequados de proteínas, além de essas deverem ser de assimilação simples.

Ou seja, essas proteínas devem ser de alta qualidade para que o organismo do pet consiga absorver adequadamente.

Ademais, ácidos graxos EPA e DHA, além do ômega 6, são componentes com importantes propriedades antinflamatórias, que também podem auxiliar os pets com essa condição.

Deve-se notar ainda que o complexo de vitaminas B, A, C e E, taurina, luteína, bem como minerais como zinco, possuem um papel importante no fortalecimento do sistema imune.

Alguns também funcionam como antioxidantes, mantendo as células a salvo da ação nociva dos radicais livres.

Existem ainda compostos secundários, como nicotinamida, ácido pantotênico, histidina, colina e inositol, que conseguem elevar os níveis de produção de ceramida pelos queratinócitos.

Sendo assim, converse com o médico veterinário responsável pelos cuidados com o seu cãozinho, para que ele elabore um bom protocolo de alimentação, ajudando a minimizar os efeitos nocivos.

Conclusão

A atopia canina é uma condição genética bastante comum, mas que pode ser confundida com outros problemas que causam coceira, como alergias, sarna e a presença de parasitas como pulgas e carrapatos.

Dessa forma, é importantíssimo que se faça um diagnóstico detalhado, tendo muita calma para eliminar outras possibilidades.

Somente assim será possível encontrar a melhor alternativa de tratamento e manejo.