Estudo revela que a variedade de raças surgiu muito antes do que acreditávamos. Veja os detalhes da pesquisa!

Olhar para um pequeno Pomerânia fofinho e imaginar que ele tem parentesco com um lobo selvagem parece quase impossível. No entanto, todos os cães, independentemente do tamanho, forma ou temperamento, compartilham um ancestral comum. Um estudo recente publicado na revista Science desafia nossa compreensão sobre quando e como surgiu essa incrível diversidade de raças caninas que conhecemos hoje.

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2 cãess de raças diferentes.  Foto: kinship

A pesquisa revela que a criação seletiva de cães começou muito antes do que se pensava, há mais de 10.000 anos, durante a Idade da Pedra Média, desafiando a ideia de que as raças modernas seriam uma invenção relativamente recente.

A jornada de 30.000 anos: do lobo ao cachorro de estimação

Os cães foram um dos primeiros animais domesticados pelo ser humano, com evidências apontando para um processo que começou aproximadamente 30.000 anos atrás. Durante esse período, lobos selvagens foram gradualmente se aproximando de assentamentos humanos, possivelmente atraídos por restos de comida.

Os exemplares menos agressivos e mais tolerantes à presença humana acabaram desenvolvendo uma relação mutuamente benéfica com nossos ancestrais. Esta cooperação inicial transformou-se, ao longo de milênios, na profunda conexão que vemos hoje entre humanos e cães.

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Fotos de dois filhotes de lobe-terrivel em sua primeira divulgação. Imagem: Colossal Biosciences

Durante muito tempo, acreditou-se que a diversificação intencional das raças caninas era um fenômeno relativamente recente. A visão predominante era que as raças modernas haviam sido formalizadas apenas no século XIX, com o surgimento dos clubes de kennel vitorianos que estabeleceram padrões específicos para diferentes tipos de cães.

Veja: Imagens revelam como estão os lobos “desextintos”, mas será mesmo uma desextinção? Entenda aqui!

O que a ciência descobriu sobre a origem das raças

A equipe internacional de pesquisadores por trás do novo estudo analisou crânios caninos pré-históricos, examinando e escaneando ossos que abrangem 50.000 anos de evolução do cachorro. Como lobos e cães são muito semelhantes em aparência, rastrear a domesticação física dos lobos sempre foi desafiador.

A revelação dos crânios pré-históricos

Os ossos de cães em sítios arqueológicos geralmente estão melhor preservados porque, ao contrário de outros animais cujos restos eram fragmentados e descartados, os cães frequentemente eram enterrados intencionalmente por seus donos humanos.

Aproveitando essa preservação excepcional e utilizando uma técnica chamada morfometria geométrica – que permite aos cientistas mapear e medir formas em três dimensões – a equipe analisou mudanças sutis na forma dos crânios caninos ao longo do tempo.

A diversificação morfológica há 11.000 anos

A grande descoberta veio quando os pesquisadores identificaram que há 11.000 anos, logo após a última era glacial, os crânios dos cães começaram a mudar drasticamente de forma. Além dos crânios semelhantes aos de lobos, surgiram exemplares com focinhos mais curtos e cabeças mais robustas.

Segundo a Dra. Cary Ameen da Universidade de Exeter, uma das principais pesquisadoras do projeto: “Por volta de 10.000 anos atrás, metade da diversidade presente nos cães modernos já estava presente no Neolítico. Então, muito cedo em nosso relacionamento com os cães, não apenas os mudamos em relação aos lobos, mas eles começam a mudar entre si e gerar muita diversidade.”

Por que os cães começaram a mudar: teorias científicas

Os pesquisadores ainda não sabem exatamente por que a aparência dos cães antigos começou a mudar. Embora seja tentador pensar que nossos ancestrais simplesmente achavam cabeças de cachorro mais largas mais fofas (assim como muitos de nós hoje), a explicação real provavelmente é muito mais complexa.

A diversificação morfológica canina parece ter sido impulsionada por uma combinação de fatores:

  • Interação com humanos: preferências por determinadas características físicas ou comportamentais
  • Adaptação a diferentes ambientes: desde florestas densas a regiões árticas
  • Dietas variadas: diferentes funções exigiam diferentes adaptações anatômicas
  • Seleção para trabalhos específicos: caça, pastoreio, guarda e companhia

“É difícil separar qual desses fatores pode ter sido o mais importante”, observou a Dra. Ameen. Esta complexidade torna o estudo da evolução canina um campo fascinante que continua a revelar novos insights sobre nossa relação com os cães.

As raças antes dos clubes de kennel vitorianos

Até recentemente, a crença comum era que a criação moderna de cães começou com os clubes de kennel vitorianos do século XIX, que formalizaram diferentes raças em categorias distintas. Essa visão agora precisa ser revista à luz das novas descobertas.

Embora os clubes de kennel tenham dado nomes específicos às qualidades caninas e estabelecido padrões formais, diferentes tipos de cães já existiam há milhares de anos antes. O que os vitorianos fizeram foi sistematizar e documentar essas diferenças, não criá-las.

A pesquisa sugere que nossos ancestrais neolíticos já praticavam uma forma de seleção artificial, escolhendo cães com características desejáveis para reprodução. Este processo gradual levou à diversificação que vemos nas raças modernas.

Como as raças se desenvolveram ao longo da história

Cães de trabalho, caça e companhia

À medida que as sociedades humanas evoluíram, os cães foram sendo selecionados para funções cada vez mais específicas. Cães pastores desenvolveram instintos para controlar rebanhos, cães de caça aprimoraram seu olfato e habilidades de rastreamento, enquanto cães guardiões foram selecionados pelo tamanho e temperamento protetor.

Nas sociedades agrícolas, cães de trabalho tornaram-se parceiros essenciais no campo. Já nas casas dos nobres, raças menores ganharam popularidade como animais de companhia e símbolos de status.

Veja: Diferença entre cães de caça e cães de guarda

A influência humana na diversidade canina

A migração humana também desempenhou um papel crucial na diversificação canina. Conforme nossos ancestrais se espalhavam pelo mundo, seus cães os acompanhavam, adaptando-se a novos climas e desafios ambientais.

No Brasil, por exemplo, raças como o Fila Brasileiro e o Terrier Brasileiro refletem necessidades específicas desenvolvidas em nosso território, combinando características de cães trazidos pelos colonizadores com adaptações ao ambiente local.

O futuro da pesquisa sobre a origem das raças

Os pesquisadores Ameen e Halloween Evin, da Universidade de Montpellier, reconhecem que ainda existem lacunas importantes em nossa compreensão. Eles afirmam que a pesquisa precisa de mais espécimes, especificamente do período entre 25.000 e 11.000 anos atrás na Ásia central e sudoeste, para aprofundar o entendimento da domesticação canina.

“Em última análise, os cães são um espelho da história humana”, escreveram eles. “Sua história está entrelaçada com a nossa, moldada por migrações compartilhadas, ambientes em mudança e sociedades em evolução. Como a primeira espécie domesticada – e ainda nossa companheira mais duradoura – os cães oferecem uma janela única para entender como os humanos moldaram o mundo natural e como o mundo natural nos moldou em troca.”

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