O Abril Azul, mês dedicado à conscientização sobre o autismo, ganha um significado ainda mais especial com a crescente valorização da terapia assistida por animais (TAA).
Essa abordagem terapêutica, que utiliza a interação com animais como ferramenta de intervenção, tem se mostrado eficaz no desenvolvimento de habilidades e na promoção do bem-estar de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Os animais, com sua capacidade de oferecer afeto incondicional, ausência de julgamentos e presença constante, criam um ambiente seguro e acolhedor, fundamental para o desenvolvimento de pessoas com autismo.

O que é a Terapia Assistida por Animais?
A Terapia Assistida por Animais (TAA) é uma abordagem terapêutica que incorpora animais, como cães, gatos e cavalos, em sessões conduzidas por profissionais de saúde, incluindo terapeutas ocupacionais, fisioterapeutas, psicólogos e educadores. O objetivo principal é promover melhorias no bem-estar físico, emocional, cognitivo e social dos pacientes, utilizando a interação com os animais como parte integrante do processo de tratamento.
Os animais desempenham um papel fundamental ao oferecer apoio emocional, motivação e conforto aos pacientes, facilitando a comunicação e a construção de vínculos terapêuticos. A TAA tem sido aplicada em diversos contextos, como hospitais, clínicas de reabilitação, escolas e instituições para idosos, beneficiando pessoas com diferentes condições de saúde, incluindo transtornos psicológicos, dificuldades de aprendizagem e doenças crônicas.
A TAA é muito mais que o simples contato com animais. Ela é uma prática terapêutica estruturada, conduzida por profissionais qualificados, que utiliza o vínculo entre humanos e animais para alcançar objetivos terapêuticos específicos.
Leia também: Cães melhoram os hábitos de sono de crianças com autismo
Os Múltiplos Benefícios da TAA no Autismo
A TAA oferece uma gama de benefícios para pessoas com o esprectro autismo, impactando positivamente diversas áreas do desenvolvimento:
- Comunicação e interação social: A interação com os animais pode estimular a comunicação verbal e não verbal, facilitando a expressão de emoções e a compreensão de comandos. Os animais podem servir como mediadores sociais, facilitando a interação com outras pessoas e o desenvolvimento de habilidades sociais.
- Regulação emocional: A presença dos animais pode ter um efeito calmante, reduzindo a ansiedade e o estresse, comuns em pessoas com autismo. A interação com os animais pode promover a liberação de hormônios como a ocitocina, que está associada ao bem-estar e à redução do estresse.
- Coordenação motora: Atividades como acariciar, alimentar e brincar com os animais podem ajudar a melhorar a coordenação motora e o equilíbrio.
- Autoestima e confiança: A interação positiva com os animais pode fortalecer a autoestima e a confiança, promovendo um senso de bem-estar e autonomia.
- Estímulo sensorial: A interação com os animais pode proporcionar uma variedade de estímulos sensoriais, como toque, cheiro e som, que podem ser benéficos para pessoas com autismo que apresentam sensibilidade sensorial.
Você também vai gostar: As 11 melhores raças de cães para criança com autismo

Agora é lei o Acesso à TAA no SUS
A recente aprovação do projeto de lei que disponibiliza a TAA no Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas com autismo representa um avanço significativo na garantia do acesso a tratamentos eficazes para o autismo no Brasil.
Em novembro de 2023, a Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei que prevê a oferta de serviços de TAA para indivíduos com transtorno do espectro autista no SUS. A proposta visa incorporar essa abordagem terapêutica na Lei de Proteção aos Autistas, em vigor desde 2012.
Além disso, em dezembro de 2024, a Comissão de Defesa dos Direitos da Pessoa Idosa aprovou a implementação do Programa Nacional de Terapia Assistida por Animais (PNTA) no SUS. O objetivo é utilizar a interação com animais domésticos para promover a saúde e o bem-estar da população idosa, especialmente em instituições como asilos e casas de repouso.
Essas iniciativas refletem um movimento crescente para integrar a TAA às políticas públicas de saúde, reconhecendo seu potencial terapêutico e buscando torná-la acessível a diferentes segmentos da população por meio do SUS.
A Ciência e a Efetividade da TAA
Umas pesquisas sugerem que a TAA pode auxiliar na diminuição do estresse, ansiedade e dor em pacientes hospitalizados, promovendo uma melhora geral no bem-estar. Contudo, é importante notar que algumas revisões destacam a necessidade de estudos com maior rigor metodológico para confirmar esses achados.
Uma revisão sistemática publicada na revista Cochrane Database of Systematic Reviews em 2019 apontou que a TAA pode reduzir sintomas depressivos em indivíduos com demência, embora os efeitos sobre outros aspectos cognitivos ainda necessitem de mais investigação.
Estudos científicos têm demonstrado a efetividade da TAA no tratamento de pessoas no espectro autista. A interação com os animais pode promover mudanças positivas no cérebro, estimulando áreas relacionadas à comunicação, à interação social e à regulação emocional. Além disso, a presença dos animais pode reduzir os comportamentos repetitivos e a ansiedade, comuns em pessoas com TEA.
Leia também: Cachorro Tem Autismo?
