Barbie

Penso que toda criança, na fase dos seus 8-9 anos fala pro seus pais que quer um cachorro, mesmo sem ainda ter a consciência do que é a amizade e fidelidade de um amigo de quatro patas. E lá em casa, claro, não foi diferente. Cansadas de periquitos, coelhos, tartarugas e galinhas garnizé, minha irmã e eu queríamos um animalzinho de verdade, daqueles que interagissem, sabe? “as meninas não vão saber cuidar de cachorro ainda, Ruy. Vai ser só pra nós dois cuidar” eu ouvia minha mãe dizer (é que nessa época ela ainda tinha outra ideia do que era possuir um animalzinho de estimação). Mas meu pai não ia desistir fácil! Certo dia chegou em casa e disse assim: “Cacaudia, Lelê… Vão lá na cozinha pegar uma caixa de guaraná que o papai trouxe”. Chegando lá, do lado da geladeira, estava uma caixinha de papelão, mas não tinha guaraná nenhum lá dentro. Pra nossa alegria imensa, tinha um filhotinho todo pretinho parecendo um morceguinho lá dentro… É, mas não era a nossa Barbie não! Era o irmãozinho dela, que demos o nome de Pingo. Mas quando as coisas não estão destinadas a ser, não adianta. O Pingo tinha um probleminha na coluna causado no parto e não conseguia parar em pé nem andar direito e por isso não interagia com a gente, não corria e não brincava. O moço que vendia os cachorrinhos propôs ao meu pai que ele fizesse uma troca, pois tinha a irmãzinha dele lá ainda, que estava saudável. Chegando lá, vimos aquele bebezinho lindo, preto e marrom, toda fortinha… parecia que vinha roubando o leite do irmão. Como éramos crianças não entendemos direito o situação, mas aceitamos felizes a troca. E assim foi, Barbie chegou na nossa casa, ocupando um cantinho da varanda sem imaginar que em pouco tempo ocuparia todo o nosso coração. Pois é amorzinho, 14 anos depois ele ainda é e sempre será seu. Era o bichinho imperfeito mais perfeito que eu já tinha visto: número ímpar de tetinhas, pernas da frente menores que as de trás e uma da frente ainda conseguia ser menor que a outra. Tudo isso, acessório de fábrica que fazia com que ela fosse diferente e mais especial que qualquer outra cadelinha.
A Barbie fazia tudo e mais um pouco que duas meninas, uma de nove e outra de sete anos, podia esperar de bichinho de estimação: Corria, brincava, mordia a gente toda, aranhava, comia os sapatinhos e roupas das nossas barbies de brinquedo (acho que era alguma coisa com o nome que ela não suportava, haha), e os cabos do computador. Fugia pra rua e nos deixava desesperadas de preocupação, comia qualquer coisa que esquecêssemos sobre a mesa da cozinha (principalmente se fosse um queijinho), latia com todos os desconhecidos e não queria amizade de estranho nenhum: Ela era só nossa! Além disso, estava todos os dias, fielmente, nos esperando chegar da escola com um sorriso maroto de cachorro esperando a hora das brincadeiras, que eram tantas!
Sempre vou lembrar de quando ela fazia buracos por todo o quintal da mamãe, chegava dentro de casa com o focinho e as patas tudo sujo de terra e ia beber água no box molhado, deixando um rastro de patas barreadas por toda a casa hahaha. Uma vez cavou tanto o quintal de uma casa de praia que chegou a se esconder sob o alicerce.
Dizem que todo cachorro escolhe um líder na casa pra seguir, e ela escolheu a mamãe. Era uma espécie de deusa da adoração que a Barbie seguia por toda a casa certificando que estivesse tudo certo com ela. É… morríamos de inveja, não dá pra negar!
A Barbie esta presente em todos as minhas memórias da infância e adolescência. As meninas cresceram, e a cachorrinha também. Nos acompanhou sempre de perto e desempenhando todos os papéis que a ela cabiam com maestria: Cachorro de criança, de aborrecente, de adulto e de companhia pros meus pais quando saímos de casa pra estudar. Não tive ainda uma amizade que alcançasse os 14 anos de duração assim, firme e forte, sem nunca enfraquecer. É por isso que esse momento é tão difícil. Difícil escrever e difícil tentar mostrar o tanto que nossa família era apaixonada por esse serzinho que era todo e completo coração.
A Barbie ensinou tanta coisa pra gente, que as vezes chego a duvidar se era uma cachorrinha, penso mesmo que era meio anjinha. Ensinou a amar e respeitar todos os animais, a ter carinho por todos eles e também ensinou a não desistir perante as dificuldades.
Nos últimos meses ela lutou muito, mas chega um momento que não há mais nada a ser feito e infelizmente a gente precisou dar adeus à nossa melhor amiga. Desde segunda feira tenho andado com o peito na mão, sentindo que um pedacinho do meu coração foi ficar junto dela, pois não ia aguentar de saudade.
Barbinha, muito obrigada pelos 14 anos e sete meses de amizade que você nos ofereceu. Não vai haver um dia que eu não vá sentir sua falta, até mesmo dos “au au’s” que você fazia durante todas as nossas refeições.
Espero que no céu dos cachorros tenha queijo e bifinho!
Amo você, sempre!

Postado por
Siga em:
Compartilhe
Assine nosso Newsletter
Assine nossa newsletter e receba em seu e-mail nossa seleção de conteúdo com dicas e curiosidades sobre cães.

Veja também!

Cupins de chuva podem intoxicar cães: tragédia acende alerta para tutores. Veja esse caso!
Uma cadela morreu após ingerir cupins de chuva, conhecidos como aleluias ou siriris, durante uma revoada ocorrida no período chuvoso,...
Pesquisa identifica novos marcadores prognósticos para mastocitomas em cães
Uma pesquisa britânica identificou novos marcadores prognósticos para tumores de mastócitos em cães, destacando a mutação do gene c-kit no...
Labrador chama a atenção do tutor por câmera de monitoramento e viraliza. Veja o vídeo
O labrador Beau viralizou ao descobrir que, ao latir para a câmera de monitoramento enquanto fica sozinho em casa, aciona...
Câmara de Juiz de Fora aprova regras para criação e manutenção de cães. Veja o que mudou!
A Câmara Municipal de Juiz de Fora aprovou um projeto de lei que estabelece regras para a posse responsável de...
Img de rastreio

Localize algo no site!