Um pet shop foi condenado a pagar R$ 18 mil de indenização a uma família após vender um filhote de Akita Inu que morreu da doença viral poucas semanas depois da compra. O caso expõe questões importantes sobre vacinação, cuidados com filhotes e direitos do consumidor.

A decisão da 14ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça de Minas Gerais serve como um alerta tanto para proprietários quanto para comerciantes sobre a importância da prevenção e dos cuidados adequados com a saúde animal. A cinomose é uma das doenças mais perigosas que pode afetar cães, especialmente filhotes não vacinados, e seu impacto vai muito além das questões médicas, causando profundo sofrimento emocional às famílias envolvidas.
Caso Judicial Expõe Riscos da Cinomose em Cachorro
A cadela da raça Akita Inu foi adquirida em maio de 2019 por uma mãe para seus três filhos, mas já apresentava sinais da doença no momento da venda. O vendedor foi observado limpando secreções nos olhos do animal, um sintoma característico da cinomose que deveria ter servido como alerta.
No dia seguinte à compra, o filhote desenvolveu vômito e diarreia, sintomas que levaram a família a buscar atendimento veterinário imediatamente. Apesar dos esforços médicos e do tratamento instituído, o animal não resistiu e precisou ser submetido à eutanásia cerca de um mês após a aquisição. Os exames posteriores confirmaram o diagnóstico de cinomose e revelaram que o filhote não havia recebido nem mesmo a primeira dose da vacina, que deveria ter sido aplicada aos 45 dias de vida.
A decisão judicial inicialmente determinou o pagamento de R$ 9 mil (R$ 3 mil para cada uma das três crianças), mas foi revista pelo relator Clayton Rosa de Resende, que considerou a situação de “notória gravidade”. O valor foi aumentado para R$ 18 mil, reconhecendo o intenso sofrimento emocional das crianças, que se apegaram ao animal mesmo no curto período de convivência.
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O que é Cinomose e Como Ela Afeta os Cães
A cinomose é uma doença viral altamente contagiosa que afeta exclusivamente os cães, sendo considerada uma das enfermidades mais graves que podem acometer a espécie canina. Causada pelo vírus da cinomose canina (CDV), esta patologia tem potencial letal, especialmente quando atinge animais não vacinados ou com sistema imunológico comprometido. A doença representa uma das principais causas de morte em filhotes e cães adultos sem proteção vacinal adequada.

O vírus da cinomose tem a capacidade de afetar múltiplos sistemas orgânicos, incluindo os sistemas respiratório, gastrointestinal, neurológico e tegumentar. Quando a cinomose atinge o sistema nervoso central, os sintomas se tornam mais graves e o prognóstico se deteriora significativamente.
Filhotes entre 3 e 6 meses de idade são considerados o grupo de maior risco, pois ainda não completaram o protocolo vacinal e podem ter perdido a proteção dos anticorpos maternos. Cães adultos com vacinas desatualizadas também permanecem vulneráveis à contaminação. A taxa de mortalidade pode chegar a 80% em filhotes não vacinados, evidenciando a gravidade desta enfermidade e a importância crítica da prevenção através da imunização adequada.
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Prevenção da Cinomose Através da Vacinação
O protocolo vacinal deve ser iniciado ainda na fase de filhote, seguindo um cronograma específico que garanta a proteção adequada contra esta e outras doenças infecciosas.
Calendário de Vacinação para Filhotes
O protocolo padrão de vacinação contra cinomose deve ser iniciado entre 6 e 8 semanas de idade do filhote, com reforços administrados a cada 3-4 semanas até que o animal complete 16 semanas. A primeira dose da vacina múltipla deve ser aplicada aos 45 dias de vida, exatamente o que não aconteceu no caso do pet shop condenado em Belo Horizonte.

É importante destacar que ainda não existe um medicamento específico que elimine diretamente o vírus da cinomose. O tratamento é essencialmente sintomático e de suporte, incluindo o uso de antibióticos para prevenir infecções secundárias, vitaminas para fortalecer o sistema imunológico, e medicamentos antivirais quando indicados. Esta limitação terapêutica reforça ainda mais a importância crítica da prevenção através da vacinação adequada.
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Direitos do Consumidor na Compra de Filhotes
Estabelecimentos que comercializam animais têm obrigações legais específicas relacionadas à saúde, bem-estar e documentação adequada dos animais vendidos. O Código de Defesa do Consumidor se aplica integralmente a essas transações, garantindo proteções específicas aos adquirentes.
Entre as responsabilidades dos vendedores estão o fornecimento de animais saudáveis, com vacinação em dia conforme a idade, vermifugados e documentação sanitária completa.
Para se proteger, consumidores devem exigir o cartão de vacinação atualizado, certificado de origem quando aplicável, e realizar exame veterinário independente nas primeiras 48 horas após a aquisição. É recomendável documentar todas as condições do animal no momento da compra através de fotos e vídeos, bem como manter todos os recibos e contratos. Em caso de problemas, a orientação é procurar imediatamente um advogado especializado em direito do consumidor e registrar reclamação nos órgãos de defesa competentes.