Durante a madrugada ouvi choro e latidos de um cão. Pela manhã, olhei pela janela e vi um cachorrinho sozinho no terreno baldio no fundo da minha casa. Achei que poderia ser do dono.
Mas, ao final da tarde após chegar do trabalho, continuei ouvindo o mesmo choro e latidos. Como estava um dia chuvoso, descartei a ideia inicial. E, vizinhos disseram que aquele cachorro estava ali há mais ou menos uns dois dias, na chuva, sem água e sem comida.
Fui até o local, mas não encontrei nenhuma entrada, o terreno era todo murado. Com a ajuda do meu marido, peguei uma escada, encostei no muro e pulei para dentro do terreno. Assustado, o cachorro correu para o meio do mato. Lá vou eu, entrar no matagal no meio de uma chuva, e quanto mais eu me aproximava, mais ele se escondia. Retornei ao muro e pedi para que meu marido buscasse alguma guloseima em casa. Assim, com um pedaço de pão nas mãos consegui chamar a atenção do bichinho, que, apesar de estar molhado, sujo de lama e cheio de carrapichos, comeu o pão e balançou o rabinho enquanto me olhava com aqueles olhinhos brilhantes. Peguei-o no colo e o passei por cima do muro, para os braços do meu marido, que foi cumprimentado com várias lambidas no rosto.
E foi assim que há três anos, na véspera de Natal, eu ganhei um lindo presente: o Minduim.
Minduim
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