Strep Surf

Strep Surf, um labrador misturado nascido em aproximadamente 23/07/2007, meu melhor amigo e companheiro. Ela nasceu em uma área uma tanto “rural” da minha cidade, onde construíamos a nossa casa. Os pedreiros falaram a meu pai sobre um filhote de cachorro marrom de olhos verdes morando lá, devia ter uns 3 a 4 meses. Meu pai decidiu então leva-lo para o apartamento onde ainda morávamos. Eu e meus irmãos já queríamos um cachorro há tempos, mas meus pais alegavam que não tinha espaço (e realmente não tinha). Quando meu pai o trouxe, ele era um tanto ”feinho” e magricelo, muito tímido e nem sequer um latido ele dava, mas não desgrudava do nosso pé. Decidimos chamá-lo de Strep (a cordinha da prancha de surfe que prende no pé). Ele era o “strep” que unia minha família. Onde quer que fôssemos ele estava junto. Viagens, praia, festa de família…aos poucos, ele foi criando uma personalidade fantástica que todos que o viam admiravam. Acredito que pelo o amor e mimos que nós dávamos ele se transformou em um cãozinho lindo e levado! Vivia aprontando. Desde pegar peixes mortos quando o mar estava de ressaca pra brincar quanto andar pelo telhado e pular o muro para fugir pela casa do vizinho e ir atrás de cadelas no cio.
Muito carinhoso!!! Cada dia dormia no quarto de um de nós, para não ter briga. As 06:30 da manhã ele me acordava com o focinho molhado no meu rosto para ir a escola e posteriormente, trabalhar… Era um grude com minha sobrinha desde recém-nascida. Se ela chorasse, ele ia nos avisar correndo. Deixava-a fazer cavalinho, enfiar a mão na boca, puxar orelha… Muito fofo.
Sábado era dia de ir à praia ou viajar. Então ele pegava a sua coleira e pote de ração/água e colocava perto de nós, sinalizando que já estava pronto para ir. Quando íamos à praia, ele tinha que ter uma barraca só para ele. Se estivesse com calor, ele levantava, entrava no mar dava um mergulho e voltava para sua barraca. E claro, não podia faltar o picolé de milho verde. TODOS os vendedores de picolé/sacolé já o conheciam. Muitas das vezes ele os via de longe e os trazia até nós para pagarmos o picolé dele. Ia nas barracas vizinhas falar com os amigos dele e os que fazia na hora; recebia um carinho aqui, outro um petisco. Muito figura…quem é local da praia também sentiu muito sua perda também.
A perda desse cãozinho tão especial foi difícil… Levávamos ao veterinário regularmente para fazer exames, mas percebemos que ele já não queria tanto comer, que já não animava de brincar de pegar o pauzinho na praia e que estava um tanto preguiçoso. Disseram-nos que era a idade, então mudamos várias vezes de ração, dávamos vitaminas etc. Nunca nos devolviam o exame de sangue, de todos os veterinários que já fomos. Até que em novembro/2014 ele teve uma crise e precisou ser internado. Ficou no soro falaram e que podia ser por conta da doença do carrapato que já tinha sido tratada e só. Percebíamos que ele ainda não queria comer e brincar e sempre nos era recomendado mudar a ração, e assim fazíamos. Mais tarde percebemos que ele foi guerreiro por muito tempo. Duas semanas antes do carnaval de 2015, ele não queria comer nada. Nem carne nem petisco que ele tanto amava. O internamos em uma clinica da cidade vizinha. Problema renal. Quase 80% do rim comprometido… Foi um baque. Fizemos o tratamento por 1 semana, nos falaram que não tinha mais o que fazer então o levamos para casa, a base de morfina. Mesmo sem conseguir se mexer muito, ele soltava aquele sorrisinho de ver que estava na casa dele. No outro dia já não tinha mais consciência de muita coisa e sentia dor. Chamamos uma veterinária para aplicar a injeção. Ele resistiu até o fim, foram necessárias 2 para fazê-lo descansar…doloroso demais os últimos meses. Não encontra-lo em casa me esperando, não o ter nas viagens, na praia, ao lado de minha cama… O importante é que o amor que nós demos o transformou em um cãozinho lindo com muita personalidade e cheio de amigos que sentem muito a falta dele.
Deixo aqui a minha história com o Strep. Um caso com os profissionais errados, mas com o cachorro perfeito que me ensinou muito sobre amor, lealdade e amizade. Para ter um animal em casa basta dar ração, água e abrigo, mas para ter um companheiro tem que também nutrir com muito amor e carinho. Afinal, o amor transforma.

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