SUKI

Essa é uma história de saudade, amor incondicional e gratidão. Meu nome é Isabel, tenho 23 anos e tive a honra de conviver com meu pequeno grande amor por quase 14 anos. Em 6 de abril de 2001, meus pais queriam comprar um pastor alemão, no qual era o sonho de minha mãe. Chegando na petshop, uma filhotinha desengonçada, a última restante de uma ninhada de srd, acabou me encantando de todas as maneiras possíveis. O veterinário responsável, referiu que iria sacrifica-la se em alguns dias ela não fosse adotada, já que era uma simples vira-lata. Eu tinha apenas 9 anos e foi minha primeira noite em claro. Na manhã do dia 7, meus pais retornaram para buscá-la, desistindo da ideia do filhote de pastor. Era aniversário da minha vó e toda minha família achava ela estranha, mas para uma criança, era o serzinho mais encantador do planeta. A Suki mudou a vida da minha família completamente. Era uma cadela diferente, não gostava de conviver com outros cachorros, fazia xixi de perninha levantada e era pouco sociável com a maioria das pessoas, mas isso nunca interferiu no meu amor por ela. Eu fui crescendo e ela sempre comigo. Meus pai se mudaram inúmeras vezes, troquei de escolas, amigos e afins, e a Suki sempre foi minha companheira, meu porto seguro. Teve câncer de mama aos seis anos, realizou mastectomia e eu nunca chorei tanto na vida, com o medo de perdê-la. Se recuperou perfeitamente, ficou um pouco mais calma, perdeu o corpo “atlético” e ficou ligada em mim mais do que nunca. Em 2010 fui estudar em outra cidade e como iria morar em apartamento, dividindo quarto com uma amiga, ela ficou com os meus pais, no meu quarto, dormindo na minha cama. Vinha pra casa a cada 15-21 dias, e a festa de recepção era como se eu tivesse ido pra guerra e voltado. Minha maior saudade sempre foi ela. Contava os dias para o final da faculdade e poder voltarmos a conviver diariamente. Em dezembro de 2014, meu bebê teve gravidez psicológica e resolvi leva-lá para Pelotas para fazer o tratamento e passar meus últimos dias morando lá, comigo, já que no natal estaria me mudando pra casa dos meus pais definitivamente. Resolvemos fazer um check up e enquanto os exames não saiam, ela começou a ficar fraca e sem apetite. Três dias após veio o diagnóstico: Insuficiência Renal Crônica, numa fase aguda. Meu mundo desabou. Estava no final da faculdade, terminando estágio, entregando projeto de tcc, me despedindo da cidade e a única coisa que eu queria era que ela ficasse bem. Tentamos de tudo. Para não ficar internada, o veterinário autorizou o tratamento com soroterapia em casa, já que minha amiga era estudante de veterinária. Foram noites se revezando, dando papinha na seringa, preparando chá, despertadores para as medicações e afins. A Suki ficou conhecida no bairro como a cadela do “sorinho”, teve melhoras e recaídas, fizemos vaquinha para ajudar nos custos que eram altíssimos, muitas pessoas ajudaram, pesquisamos sobre hemodiálise, células tronco, todos os tratamentos possíveis. E ela tentando se manter forte, apesar da fraqueza, vômitos e todas as medicações. Até que certa noite infelizmente ela teve uma convulsão e teve que ser internada. Nunca havia dormido sem ser na minha cama, imagina numa clínica? Meus pais foram passar os dias comigo, pois eu estava inconsolável. Era inexplicável minha dor. No dia 18/12 ela deu alta, com certa melhora e eu e meus pais fizemos a mudança. Estava abatida, mas não saía do meu lado, ainda suspirava a cada carinho como sempre fez, mas aos poucos foi piorando, os vômitos voltaram e teve que ser internada novamente. Pela primeira vez me falaram de eutanásia, e apesar de não querer isso, no fundo eu sabia que talvez seria a hora dela ir, e que meu egoísmo e medo de perde-la a prendiam aqui. Fui visita-la no outro dia, e chorei abraçada nela, sentada no chão da clínica. Decidimos seguir o protocolo da clínica, esperar os exames e ver se haveria melhora. Conseguimos um veterinário que faria hemodiálise, já que os níveis de creatinina e ureia se mostraram muito elevados, e na manhã do dia 23, enquanto estávamos no caminho de ir busca-lá para sessão, a clínica nos ligou informando que ela tinha tido uma parada cardíaca. Foi a pior dor que eu senti na vida. Ter que dar adeus pra quem eu tanto amei, que tanto me amou. Os veterinários choravam junto comigo. Sei que tentei o impossível por ela…mas também sei que a saudade vai ser eterna, que essa dor vai demorar pra passar. É incrível a capacidade que um animal tem de amar incondicionalmente, de esperar e de até me preparar para sua partida…pois tive que ir me acostumando aos poucos com a ideia que ela não viveria pra sempre. Sou eternamente agradecida pelos quase 14 anos que ela conviveu comigo. Ainda sonho com ela e acordo no pesadelo de não tê-la aqui. Mas sei que agora tenho um anjo no céu, que me cuidou por tantos anos e agora me cuida lá de cima. E um dia a gente se encontra, vida. Pra sempre eu vou te amar….

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