A suspensão da vacina leishmaniose canina Leish-Tec pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) gerou preocupação entre tutores de cães em todo o Brasil. Esta decisão ocorreu em maio de 2023, motivada por desvios de conformidade detectados em lotes do produto, deixa o país até hoje sem a única vacina contra leishmaniose visceral canina disponível no mercado nacional.
Essa suspensão tem grande impacto não só na vida dos nossos dogs, mas também na saúde única, já que a doença é uma zoonose. A Leishmaniose é transmitida através da picada de insetos flebotomíneos. Para os tutores que dependiam desta proteção, saibam que existem outras formas de proteção.

O que levou à suspensão da vacina Leish-Tec?
A decisão do MAPA de suspender a fabricação e venda da vacina leishmaniose canina Leish-Tec teve origem em uma fiscalização realizada entre 8 e 11 de maio, que identificou graves problemas de qualidade no produto. Inicialmente, a própria fabricante Ceva Saúde Animal anunciou a suspensão voluntária da venda após detectar desvios em seis lotes específicos. No entanto, a situação se agravou quando o ministério expandiu a investigação e descobriu problemas em oito lotes diferentes.
Os lotes reprovados apresentaram teor de proteína A2 inferior ao limite mínimo estabelecido na licença do produto, comprometendo diretamente a eficácia da vacina. Esta proteína é fundamental para garantir a resposta imunológica adequada nos cães vacinados, e sua deficiência pode resultar em falsa sensação de proteção para os animais. Os lotes afetados incluem: 029/22, 037/22, 043/22, 044/22, 060/22, 004/23, 006/23 e 017/23.
A gravidade da situação fica evidente quando consideramos que a falta de eficácia da vacina expõe os cães vacinados ao risco de contrair leishmaniose, e também representa um perigo para a saúde pública.
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Características e eficácia da vacina leishmaniose canina Leish-Tec
A Leish-Tec foi desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e chegou ao mercado brasileiro em 2008, representando um marco importante na prevenção da leishmaniose visceral canina. Durante seus anos de comercialização, esta vacina leishmaniose canina se estabeleceu como a única opção registrada pelo MAPA e disponível no país, em estudos foi demonstrada uma eficácia de 96,41% de proteção contra a doença no grupo vacinado.
O protocolo de vacinação com a Leish-Tec seguia um esquema específico que incluía três doses iniciais com intervalo de 21 dias entre elas, começando a partir dos 4 meses de idade do cão. Além disso, era necessária uma dose de reforço anual para manter a proteção. A vacina era indicada exclusivamente para animais assintomáticos com resultados não reagentes para leishmaniose visceral, ou seja, cães saudáveis sem sinais da doença.
A vacina leishmaniose canina não era oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) como medida de controle da doença, estando disponível apenas em clínicas veterinárias privadas. Cada dose custava em média R$ 150, o que tornava o protocolo completo inicial caro para muitos tutores, considerando o investimento de aproximadamente R$ 450 para as três doses iniciais, além dos reforços anuais.
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Entendendo a leishmaniose visceral canina
A leishmaniose visceral é uma doença parasitária grave transmitida através da picada de insetos flebotomíneos, popularmente conhecidos como mosquito-palha ou birigui. Estes pequenos insetos, que têm hábitos crepusculares e noturnos, são responsáveis por manter o ciclo de transmissão da doença entre cães infectados, outros cães sadios e até mesmo seres humanos. A presença do vetor no ambiente é fundamental para que ocorra a transmissão, tornando certas regiões geográficas mais propensas à ocorrência da doença.

Sintomas em cães
Nos cães, a leishmaniose visceral manifesta-se através de diversos sintomas que podem aparecer gradualmente. Os sinais mais comuns incluem perda progressiva de pelo, especialmente ao redor dos olhos e orelhas, emagrecimento acentuado mesmo com apetite preservado, e aumento dos gânglios linfáticos que podem ser palpados pelo veterinário. Outros sintomas importantes são o aumento do baço e fígado, crescimento excessivo das unhas, lesões de pele que não cicatrizam adequadamente, e em casos mais avançados, problemas renais e anemia.
Sintomas em humanos
Quando atinge os seres humanos, a leishmaniose visceral apresenta sintomas distintos que requerem atenção médica imediata. Os principais sinais incluem febre prolongada que pode durar semanas ou meses, aumento perceptível do fígado e baço, perda significativa de peso, fraqueza generalizada, redução da força muscular e desenvolvimento de anemia progressiva. Sem tratamento adequado, a doença pode evoluir para formas graves e até mesmo fatais, especialmente em indivíduos com sistema imunológico comprometido.
Como proteger seu cão sem a vacina leishmaniose canina
Com a suspensão da Leish-Tec, os tutores precisam intensificar outras medidas preventivas para proteger seus cães da leishmaniose. A prevenção passa principalmente pelo controle do vetor transmissor e pela criação de barreiras que impeçam o contato entre o inseto e o animal.
O uso de repelentes específicos para cães é uma das medidas mais eficazes disponíveis. Produtos como coleiras impregnadas com deltametrina, sprays repelentes e spot-on (aplicação tópica) devem ser utilizados seguindo rigorosamente as instruções do fabricante e orientação veterinária. É crucial aplicar estes produtos especialmente nos horários de maior atividade do vetor, que correspondem ao amanhecer e anoitecer, quando os flebotomíneos estão mais ativos.

O manejo ambiental representa outra frente importante na prevenção da leishmaniose canina. A limpeza regular dos quintais, especialmente aqueles com abundante vegetação, é essencial para evitar o acúmulo de matéria orgânica que serve como criadouro para os vetores. Recomenda-se manter a grama aparada, remover folhas secas e detritos, e evitar o acúmulo de água parada.
Números da leishmaniose no Brasil preocupam autoridades
Os dados epidemiológicos mais recentes do Ministério da Saúde revelam a dimensão do problema da leishmaniose no país. Em 2021, foram registrados 1.683 casos de leishmaniose visceral humana em todo o Brasil. Minas Gerais, estado onde a vacina Leish-Tec foi desenvolvida, registrou 167 casos humanos no mesmo período, evidenciando a relevância regional da doença.
Os números relacionados à leishmaniose canina são ainda mais alarmantes, especialmente quando analisamos dados de grandes centros urbanos. Em Belo Horizonte, a Secretaria Municipal de Saúde reportou 33 casos de leishmaniose visceral humana em 2021, contrastando com impressionantes 3.539 casos de leishmaniose visceral canina no mesmo período.