A tenia é um dos parasitas intestinais mais comuns em cachorros, causando desconforto e podendo levar a problemas de saúde quando não tratada adequadamente. Este verme plano, também conhecido como “solitária” ou “verme em forma de fita”, pode afetar cães de qualquer idade, raça ou porte. Para garantir a saúde e bem-estar do seu pet, é fundamental conhecer os sintomas, formas de transmissão e tratamentos disponíveis.
O que é tenia em cachorro (verme chato)?
A tenia pertence ao grupo dos cestódeos, conhecidos popularmente como vermes chatos ou planos. São parasitas intestinais que se alojam no intestino delgado do cachorro, onde se fixam à parede intestinal através de ventosas ou ganchos presentes em sua cabeça (escólex).
O corpo da tenia é formado por segmentos chamados proglótides, que contêm os órgãos reprodutores do parasita. À medida que a tenia amadurece, estes segmentos se desprendem carregados de ovos e são eliminados nas fezes do animal, continuando o ciclo de vida do parasita.
Tipos de tenia que afetam cães
No Brasil, os cães podem ser afetados por diferentes espécies de tenia, sendo as mais comuns:
- Dipylidium caninum: a espécie mais frequente, transmitida pela ingestão de pulgas infectadas;
- Taenia spp.: incluem várias espécies que podem infectar cães quando estes comem carne crua contaminada;
- Echinococcus granulosus: menor em tamanho, mas potencialmente perigosa para humanos, causando cistos hidáticos.
O tamanho das tenias varia conforme a espécie. O Dipylidium caninum pode atingir até 50 cm de comprimento, enquanto outras espécies chegam a medir vários metros dentro do intestino do cachorro.
Entenda melhor: Posso reaplicar o tratamento contra pulgas mais cedo?
Como o cachorro pega tenia?
A forma mais comum de infestação por tenia em cães ocorre através da ingestão de pulgas infectadas. Isso acontece quando o cachorro se coça e lambe, acabando por engolir pulgas que contêm a forma larval do parasita (cisticerco).

O ciclo de contaminação inicia quando o cão elimina proglótides nas fezes. Estas proglótides liberam ovos no ambiente, que são ingeridos por larvas de pulgas. Dentro da pulga, o ovo desenvolve-se até se tornar um cisticerco (forma infectante). Quando o cão ingere a pulga durante o auto-grooming, o parasita é liberado no sistema digestivo e desenvolve-se até sua forma adulta.
Leia: Picada de pulga: Quais Doenças causadas?
O ciclo de vida da tenia
O desenvolvimento completo da tenia no cachorro segue estas etapas:
- O cão ingere uma pulga infectada com cisticerco;
- No intestino, o cisticerco se liberta e se fixa à parede intestinal;
- A tenia cresce, desenvolvendo proglótides (segmentos) que amadurecem;
- As proglótides grávidas (cheias de ovos) se desprendem e saem nas fezes;
- No ambiente, as proglótides liberam ovos que são ingeridos por larvas de pulgas;
- Os ovos desenvolvem-se em cisticercos dentro das pulgas;
- O ciclo recomeça quando o cão ingere uma nova pulga infectada.
Todo este processo, desde a ingestão da pulga até o desenvolvimento completo da tenia adulta, leva aproximadamente 15 a 21 dias.
Saiba agir corretamente: Como eliminar pulga e carrapato de casa – Deixe seu dog mais seguro!
Sintomas de tenia em cachorro
Muitos cães com tenia não apresentam sintomas evidentes, o que dificulta a identificação do problema. No entanto, quando os sinais aparecem, os mais comuns são:
1. Presença de proglótides visíveis nas fezes ou ao redor do ânus do animal, semelhantes a grãos de arroz em movimento ou sementes de gergelim quando secas;
2. Coceira anal intensa, que faz com que o cachorro arraste o traseiro pelo chão (movimento conhecido como “scooting”);
3. Alterações digestivas como diarreia intermitente, vômitos ocasionais e aumento de gases;
4. Mudanças no apetite, que pode aumentar (o cão come mais mas não ganha peso) ou diminuir;
5. Pelo sem brilho e áspero, especialmente em infestações crônicas;

Em casos mais graves ou infestações prolongadas, o cachorro pode apresentar perda de peso, distensão abdominal e sinais de desnutrição, pois o parasita compete pelos nutrientes no intestino do animal.
Como identificar as proglótides
As proglótides são o sinal mais visível da presença de tenia e podem ser encontradas:
• Nas fezes frescas, onde aparecem como pequenas estruturas brancas ou amareladas, semelhantes a grãos de arroz;
• Na região perianal do cão, grudadas nos pelos;
• Na cama ou locais onde o cachorro costuma descansar;
• Movimentando-se ativamente quando recém-eliminadas;
• Como pequenas estruturas secas semelhantes a sementes de gergelim, quando desidratadas.

Se você notar essas estruturas, recolha uma amostra em um recipiente limpo e leve ao veterinário para confirmação, evitando tocar diretamente com as mãos desprotegidas.
Diagnóstico da tenia em cães
O diagnóstico da tenia em cachorros geralmente é realizado pelo médico veterinário através de:
Exame de fezes (coproparasitológico): Permite identificar ovos ou proglótides nas fezes. Em alguns casos, é necessário coletar amostras em dias consecutivos, já que a eliminação de proglótides não ocorre diariamente.
Exame visual das proglótides: Quando presentes, o veterinário pode identificar a espécie de tenia através da morfologia das proglótides sob microscópio.
Anamnese e exame físico: O histórico do animal, comportamentos como arrastar o traseiro no chão e a presença de pulgas são indicadores importantes que o veterinário considerará.
Em casos onde há suspeita, mas os exames convencionais não detectam o parasita, o veterinário pode recomendar um tratamento preventivo, especialmente se o cachorro apresenta sinais clínicos compatíveis ou convive com outros cães infectados.
Tratamento da tenia em cachorro
O tratamento da tenia em cachorros é relativamente simples e eficaz quando realizado corretamente. O médico veterinário irá prescrever medicamentos específicos, sendo medicamentos antiparasitário mais utilizados pela sua alta eficácia contra diferentes espécies de verme.
Cuidados durante o tratamento
Durante o tratamento da tenia, alguns cuidados são essenciais:
• Eliminação das pulgas: É fundamental tratar não apenas o parasita interno, mas também eliminar as pulgas do animal e do ambiente para evitar reinfestações;
• Higiene ambiental : Limpar e desinfetar as áreas onde o animal defeca, coletando as fezes regularmente;
• Monitoramento: Observar as fezes do animal nos dias seguintes ao tratamento para verificar a eliminação dos parasitas;
• Seguir a prescrição: Administrar o medicamento conforme orientação veterinária, mesmo que os sintomas desapareçam antes do fim do tratamento.
Lembre-se que antiparasitários vendidos sem receita podem não ser eficazes contra todas as espécies de tenia, por isso a importância de consultar um veterinário antes de iniciar qualquer tratamento.
Tenia em cachorro pega em humanos?
A transmissão de tenia de cachorro para humanos é possível, mas relativamente rara, ocorrendo em circunstâncias específicas. O risco varia de acordo com a espécie de tenia envolvida.
No caso do Dipylidium caninum (a tenia mais comum em cães), para que ocorra a infecção em humanos é necessário que a pessoa ingira acidentalmente uma pulga infectada com o cisticerco. Isso é mais provável em crianças pequenas que têm contato próximo com cães infestados por pulgas e hábitos de higiene ainda em desenvolvimento.
Já o Echinococcus granulosus apresenta maior risco para humanos, pois pode causar a equinococose cística (ou hidatidose), uma condição onde se formam cistos em órgãos como fígado e pulmões. A infecção ocorre pela ingestão de ovos presentes nas fezes de cães infectados.
Leia sobre: Cobertura vacinal baixa em animais aumenta o risco de zoonose
Como prevenir a tenia em cães
A prevenção da tenia em cachorros baseia-se principalmente no controle de pulgas e na desparasitação periódica do animal. Aqui estão as principais medidas preventivas:
Controle de pulgas: Como as pulgas são os principais vetores da tenia, manter seu cachorro livre destes ectoparasitas é fundamental. Utilize produtos recomendados pelo veterinário como:
• Comprimidos orais mensais (com substâncias como afoxolaner, fluranaler ou spinosad);
• Pipetas spot-on (aplicadas na pele, como selamectina ou imidacloprid);
• Colares antiparasitários (com deltametrina ou flumetrina).

Desparasitação interna regular: Estabeleça um programa de vermifugação seguindo a orientação do veterinário. A frequência varia conforme:
• Idade do animal (filhotes necessitam desparasitação mais frequente);
• Estilo de vida (cães que frequentam áreas públicas ou convivem com outros animais têm maior risco);
• Região onde vive (áreas com alta prevalência de parasitas requerem maior atenção).
Higiene ambiental: Mantenha limpas as áreas frequentadas pelo seu pet, recolhendo as fezes regularmente e descartando-as adequadamente, preferencialmente em sacos plásticos fechados no lixo.
Alimentação adequada: Evite oferecer carne crua ao seu cachorro, já que algumas espécies de tenia são transmitidas pela ingestão de carne infectada.
Visitas regulares ao veterinário: Consultas periódicas permitem detectar precocemente qualquer problema de saúde, incluindo parasitoses intestinais.
A prevenção é sempre a melhor estratégia, pois além de evitar o desconforto do animal, previne potenciais riscos à saúde humana e reduz custos com tratamentos. Lembre-se que um programa preventivo deve ser personalizado pelo seu veterinário de acordo com as necessidades específicas do seu cachorro.