Quando precisam fazer algum tratamento médico e ficam internados em hospitais por dias sem poder ir para casa, o que os pacientes que são tutores de animais de estimação mais sentem falta são seus bichinhos, que muitas vezes são seus maiores companheiros.

Pensando nisso, muitos hospitais estão se abrindo para que animais de estimação possam visitar seus tutores, o que pode afetar de maneira muito positiva na recuperação dos pacientes.

O paciente ficou bastante emocionado ao se encontrar com seu cãozinho. (Foto: Reprodução / Inaê Brandão / G1 RR)

Em Roraima, o pedreiro Márcio Pereira, de 52 anos, paciente com esclerose lateral amiotrófica (ELA), já estava internado há três meses sem poder sair do hospital por depender de um ventilador mecânico para respira. Isso fez com que ele começasse a apresentar um quadro de depressão. Foi aí que a equipe médica liberou a visita do cãozinho Barney, grande companheiro do pedreiro.

Márcio perdeu muitos movimentos do corpo, mas sua mente continua ativa e ele se comunica com a família somente os olhos. Um dia, ele indicou que queria ver o animal. “Um dia a gente percebeu que ele estava perguntando sobre alguém, mas a gente dizia vários nomes, mas ele dizia que não. Aí eu lembrei do Barney e era dele que ele queria saber”, disse Francisca Silva, esposa de Márcio.

“Ele ouve tudo, porém não se move, não interage, mas está acordado. Com esse quadro de depressão nós decidimos fazer alguma coisa pelo seu Márcio, o que resultou na vinda do animal”, explicou o médico Patrick Araújo, coordenador do Grande Trauma do Hospital Geral de Roraima, setor onde Márcio está internado.

O tutor chorou de emoção e alegria ao ver o cachorro. (Foto: Reprodução / Inaê Brandão / G1 RR)

Antes de levar o animal até o hospital todas as questões relacionadas à vacinação e higiene do hospital foram verificadas. O encontro entre cachorro e tutor aconteceu no jardim do Hospital Geral de Roraima, onde o paciente está internado, e essa foi a primeira vez que um animal visitou o local.

O resultado foi bastante positivo e percebido por todos que participam do tratamento do paciente, que chorou de emoção e alegria ao ver o seu companheiro de quatro patas. “O choro foi de emoção, alegria”, disse a psicóloga Carolina Scheffer, que acompanhou a visita do animal.

“Como a gente sabe que a limitação dele é permanente, precisamos ofertar a uma boa qualidade de vida, algo que garanta bem estar. Esse reencontro sem dúvida foi tudo isso. Notamos toda a satisfação dele em ver o cachorro”, afirmou a psicóloga.

Os médicos perceberam como o encontro afetou de forma positiva o paciente. (Foto: Reprodução / Inaê Brandão / G1 RR)

O encontro teve um resultado tão positivo para o paciente que a direção do hospital agora pensa em utilizar isso como método de tratamento. “Esse contato foi muito bom, ele ficou muito feliz. Existem estudos que mostram que tratamento com pets ajudam na autoestima e desenvolvimento do paciente, principalmente o neurológico. Vou sentar com a equipe Multi-T para vermos novas possibilidades e estudarmos um tratamento alternativo, mais humanizado”, afirmou o médico Patrick Araújo.

Fonte: G1