Um cachorro foi baleado na comunidade Para-Pedro, em Irajá, na Zona Norte do Rio, na manhã desta quinta-feira (25). O animal, batizado de Irajá, foi “jurado de morte” por traficantes e recebeu um tiro na pata dianteira esquerda, tendo o membro quebrado e perdendo um dos dedos. Este é o terceiro caso semelhante em menos de um mês na capital fluminense.

Casos de violência contra cães no Rio preocupam autoridades
Em menos de 24 horas, dois cães foram baleados em comunidades do Rio e precisaram ser socorridos pela Secretaria Municipal de Proteção e Defesa dos Animais. Na quarta-feira, a cadela Nina foi atingida por uma bala perdida durante confronto entre policiais e criminosos no Morro do Juramento, em Vicente de Carvalho.
Nina estava na frente de sua casa quando o projétil entrou pelo tórax e saiu pela pata esquerda dianteira. Após cirurgia e implante de um fixador externo, recebeu alta e já está em casa, segundo informações da tutora. Os médicos alertaram que novos procedimentos podem ser necessários para evitar amputação.
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No início de setembro, o cenário foi parecido na favela do Batan, em Realengo, Zona Oeste. Um pitbull chamado Hércules levou três tiros e também foi atendido no Hospital Veterinário Jorge Vaitsman, onde segue em recuperação sob cuidados da prefeitura.
Por que os animais estão sendo “jurados de morte”?
O secretário municipal de Proteção e Defesa dos Animais, Luiz Ramos Filho, alertou que os casos de animais “jurados de morte” estão se tornando cada vez mais recorrentes nas comunidades cariocas. A motivação, segundo ele, seria o incômodo que estes animais causam aos criminosos.
“Temos atendido muitos animais baleados. Isso vem acontecendo com muita frequência. Ou o animal é baleado em confronto entre policiais e bandidos ou o bichinho é jurado de morte, porque incomodou o chamado poder paralelo”, explicou o secretário.

De acordo com Ramos Filho, comportamentos naturais dos cães como latir muito, reagir a estranhos, correr atrás de pessoas ou proteger casas podem ser suficientes para transformá-los em alvos. “Só por ter latido ou avançado já é o suficiente para ser mais um nas estatísticas da violência, da brutalidade. Nem os animais escapam dessa situação de barbárie extrema que temos vivido”, lamentou.
Tratamento e destino dos animais baleados
O cachorro Irajá foi levado ao Hospital Veterinário Jorge Vaitsman, na Mangueira, onde foi operado e está se recuperando. Quando receber alta, será encaminhado para um abrigo da prefeitura e ficará disponível para adoção.
A secretaria municipal tem atuado no resgate e tratamento desses animais vítimas da violência urbana. O hospital Jorge Vaitsman tem sido o principal centro de atendimento para estes casos, realizando cirurgias complexas e acompanhamento pós-operatório.
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