A nova série espanhola Animal, disponível na Netflix desde outubro de 2025, vem conquistando o público com uma mistura envolvente de humor, humanidade e crítica social. Criada por Víctor García León e protagonizada por Luis Zahera, a produção retrata a história de Antón, um veterinário rural galego que vê sua rotina mudar completamente ao trocar os animais de fazenda por cães e gatos de estimação em uma boutique de produtos de luxo para pets, administrada por sua sobrinha Uxía, vivida por Lucía Caraballo.

A partir desse contraste, a série mergulha no universo dos tutores urbanos e seus bichos mimados, explorando com leveza e ironia o encontro entre dois mundos: o campo em crise e a cidade movida pelo consumo.
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Humor com crítica social e alma galega
Ao longo dos episódios, Animal discute temas relevantes como o abandono das profissões tradicionais, a transformação do mundo rural e o impacto das novas relações entre humanos e animais. Tudo isso sem perder o ritmo ágil e o humor característico das produções espanholas recentes.
Gravada integralmente na Galícia, a série transforma a paisagem rural em parte viva da narrativa. O cenário bucólico, com suas fazendas e vilarejos, é tratado quase como um personagem, trazendo autenticidade e um olhar afetuoso sobre a vida fora dos grandes centros.

Bastidores com respeito e cuidado aos animais
Um dos diferenciais de Animal está nos bastidores. A produção manteve um veterinário presente em todas as cenas com animais, sejam domésticos ou de fazenda, garantindo segurança e bem-estar. Além disso, a equipe reduzia o número de pessoas no set para evitar barulho e manter o ambiente calmo, o que ajudava os bichos a se sentirem mais à vontade diante das câmeras.
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Trabalhar com animais exige flexibilidade e muita paciência. Durante as gravações, houve momentos em que o elenco precisou se adaptar ao comportamento imprevisível dos bichos: um cão que fugia pela porta, um gato que escalava estantes ou até um hamster que corria em direção às câmeras. Essas pequenas “rebeldias” geraram várias tomadas extras e improvisos criativos da equipe, dando origem a momentos genuínos e divertidos.
Cenas adaptadas ao ritmo dos animais
Para acompanhar o comportamento natural dos bichos, parte do roteiro e das marcações de cena foi ajustada. Se um cão demorava para sentar, a atriz improvisava algo enquanto esperava; se o animal desviava o olhar da câmera, o diretor mudava o ângulo. A regra era simples: a cena deveria se moldar ao animal, e não o contrário. Isso deu à série uma espontaneidade difícil de reproduzir artificialmente.

A produção contou ainda com cuidadores especializados que atuavam como uma ponte entre o diretor e os animais. Esses profissionais orientavam as interações, usavam petiscos e comandos visuais para guiar os bichos e garantiam que tudo acontecesse de forma segura e respeitosa.
Apesar dos imprevistos, muitos momentos espontâneos acabaram se tornando ouro puro em frente às câmeras. Um cachorro que inclinava a cabeça no instante certo, um gato que fitava a lente com curiosidade ou um coelho que se movia de forma inusitada renderam cenas únicas, algumas aproveitadas na edição final, outras guardadas como lembranças especiais de set.
Atuação e recepção do público
Luis Zahera, conhecido por papéis intensos no cinema e na televisão espanhola, assume aqui um registro mais sensível e bem-humorado, mostrando versatilidade e carisma. A química com Lucía Caraballo e o tom leve do roteiro contribuíram para o sucesso da série, que rapidamente chegou ao topo do ranking da Netflix em países como Espanha, Argentina e Uruguai.
A crítica destacou o equilíbrio entre humor e reflexão, o ritmo envolvente dos episódios curtos e a fotografia que valoriza a Galícia. Houve apenas pequenas observações sobre sotaques forçados de alguns personagens, mas nada que comprometesse o resultado final.
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