O cão herói Togo: conheça a história real por trás do filme “Togo” da Disney

Você provavelmente já ouviu falar de Balto, o famoso cão que entrou para a história ao entregar medicamentos vitais para a cidade de Nome, no Alasca, durante uma epidemia mortal em 1925. Sua façanha foi imortalizada no filme animado da Universal de 1995, e uma estátua de bronze no Central Park de Nova York celebra seu heroísmo há décadas. Mas e se a história que conhecemos estiver incompleta? E se o verdadeiro herói dessa jornada épica fosse outro cão, um animal extraordinário chamado Togo?

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Estátua odo cão Balto em Nova York. Imagem: reprodução

A epidemia que ameaçou o Alaska

Em janeiro de 1925, Nome enfrentava uma crise de saúde pública devastadora. A difteria, conhecida como o “anjo estrangulador das crianças”, começou a se espalhar pela pequena cidade de aproximadamente 1.000 habitantes. Esta doença bacteriana libera uma toxina que obstrui a traqueia das vítimas, levando à asfixia, sendo particularmente fatal para crianças.

O único médico da cidade e suas quatro enfermeiras assistentes já haviam testemunhado a morte de duas crianças – um menino de três anos e uma menina de sete. A situação era ainda mais grave porque o estoque de antitoxina (soro) disponível no local tinha acabado, tornando o tratamento ineficaz.

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A equipe médica emitiu um apelo urgente por ajuda. O estoque de soro mais próximo estava nos arredores de Anchorage, a mais de 1.100 quilômetros de distância. Em circunstâncias normais, trens poderiam transportar o medicamento até certa distância, e pequenos aviões completariam a entrega. No entanto, o inverno de 1925 trouxe uma das piores ondas de frio já registradas no Alasca, com temperaturas beirando os -50°C e ventos fortes que tornavam qualquer voo impossível.

A memória da epidemia de gripe que havia dizimado metade da população indígena de Nome, cidade afetada, há alguns anos ainda estava viva. Sem intervenção rápida, temia-se que a taxa de mortalidade entre os infectados com difteria pudesse chegar a 100%. A única esperança era organizar um revezamento de trenós puxados por cães para transportar o pacote de nove quilos de medicamentos vitais através de centenas de quilômetros de terreno gelado e hostil.

Togo: o pequeno cão com coração de herói

Togo não era um cão comum. Nascido em 1913, ele era um husky siberiano que, apesar de ter sido um filhote menor que a média, revelou-se excepcional. Com 12 anos de idade na época da corrida do soro – já considerado um cão idoso para os padrões da raça – Togo ainda mantinha uma força e resistência notáveis.

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Pertencente ao experiente musher (condutor de trenó) norueguês Leonhard Seppala, Togo já era considerado uma lenda viva entre os condutores de trenós do Alasca antes mesmo da famosa missão. Sua primeira vez usando um arreio foi impressionante – ele correu 120 quilômetros sem qualquer treinamento prévio, demonstrando um talento natural para a atividade.

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Imagens de Togo e seu tutor. Imagem: reprodução

Por ser um filhote pequeno e aparentemente frágil, Seppala inicialmente o considerou inadequado para o trabalho de puxar trenós. Ele chegou a doar o filhote para uma família local, para que fosse criado como animal de estimação doméstico.

Mas Togo tinha outros planos. Apenas algumas semanas depois, o filhote quebrou uma janela da casa onde vivia e fugiu, correndo de volta para o canil de Seppala. E esse foi o sinal que o antigo dono precisava, e então decidiu dar uma chance ao pequeno cão. Foi uma decisão que mudaria o curso da história.

Conforme crescia, Togo demonstrava qualidades excepcionais. Ele possuía um senso de navegação extraordinário e uma capacidade incomum de escolher os caminhos mais seguros através de territórios traiçoeiros. Essa habilidade fez dele um elemento crucial durante a missão do soro, quando ele precisaria guiar sua equipe através de condições extremamente perigosas.

A perigosa corrida do soro de 1925

O que ficou conhecido como a “Corrida do Soro” ou “Grande Corrida da Misericórdia” mobilizou mais de 20 condutores de trenós e cerca de 100 cães em um esforço coordenado para transportar a antitoxina vital. A rota completa partia de perto de Fairbanks, seguindo pelo rio Yukon, atravessando uma baía congelada e, finalmente, percorrendo a costa do Mar de Bering até Nome.

O sistema de revezamento foi organizado para que cada equipe percorresse uma porção da jornada antes de passar o pacote para a próxima equipe. A equipe de Togo e Seppala, no entanto, foi designada para o trecho mais longo e mais perigoso da rota, atravessando o Estreito de Norton no Mar de Bering.

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Imagens do filme “Togo” , da Disney. Imagem: reprodução/ Disney+

Enquanto a maioria das equipes percorreu distâncias entre 25 e 50 quilômetros, Togo e seus companheiros caninos cobriram um impressionante trajeto de mais de 560 quilômetros – o dobro da distância de qualquer outra equipe participante da corrida. Esse caminho foi realizado em condições que testaram os limites da resistência física.

Um dos momentos mais críticos da jornada ocorreu quando Togo guiou sua equipe através de 64 quilômetros de gelo no Mar de Bering, enfrentando uma tempestade que se aproximava. O vento aumentava constantemente, e a temperatura continuava a cair. Um erro de julgamento significaria morte certa para toda a equipe e o fracasso da missão.

Foi durante esta travessia que o talento especial de Togo para navegação em terrenos traiçoeiros provou seu valor. Conforme descrito por Gay e Laney Salisbury em seu livro “The Cruelest Mile”, Togo frequentemente corria bem à frente do resto da equipe com uma longa guia, escolhendo instintivamente a rota mais segura através do gelo marinho instável.

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Feitos heroicos que parecem ficção (mas são reais)

Um dos momentos mais extraordinários da jornada de Togo ocorreu quando ele e sua equipe chegaram à costa após atravessar o perigoso mar congelado. O trenó com os medicamentos ficou preso em um bloco de gelo flutuante do outro lado de um canal de água aberta.

Togo pegou a corda com a boca e nadou através da água gelada, puxando o trenó para a margem segura. Mesmo parecendo inacreditável e até mesmo cena de filme, o fato foi documentado historicamente e não é uma invenção.

A temperatura durante a jornada de Togo chegou a -40°C, com ventos que reduziam a sensação térmica para níveis ainda mais perigosos. Em tais condições, mesmo respirar se torna doloroso, e qualquer pele exposta pode sofrer congelamento em questão de minutos.

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Balto e os outros cães que participaram da missão. Imagem: reprodução

Por que Balto ficou famoso enquanto Togo foi esquecido

Se Togo percorreu a maior distância e enfrentou os maiores perigos, por que Balto recebeu toda a glória? A resposta reside em grande parte na forma como a mídia da época cobriu a história e na posição estratégica que Balto ocupava no revezamento.

Balto, liderado pelo musher Gunnar Kaasen, conduziu a equipe final que entrou em Nome carregando o soro. Ele percorreu os últimos 88 quilômetros da jornada, chegando à cidade na madrugada de 2 de fevereiro de 1925. Como foi o cão que completou a missão, entrando triunfalmente na cidade sob os flashes dos fotógrafos, Balto se tornou o símbolo da corrida do soro.

Os jornalistas que cobriam a história estavam concentrados em Nome, prontos para documentar o momento final da chegada. A imagem de Balto exausto mas vitorioso capturou a imaginação do público americano. Em poucos dias, ele se tornou uma celebridade nacional, ofuscando as contribuições igualmente vitais – e até maiores – de Togo e outros cães do revezamento.

Além disso, a história de um único herói é mais fácil de divulgar e celebrar do que o esforço coordenado de dezenas de equipes. A simplificação da narrativa contribuiu para que Balto recebesse crédito desproporcional por uma missão que, na realidade, dependeu do esforço coletivo de muitos cães e mushers dedicados.

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O reconhecimento tardio de Togo

Embora Togo tenha sido injustamente ficado às margens da história por décadas, seu legado finalmente começou a receber o reconhecimento merecido. O filme “Togo” da Disney+, estrelado por Willem Dafoe no papel de Leonhard Seppala, foi lançado em dezembro de 2019 e ajudou a corrigir o registro histórico, apresentando a verdadeira extensão da contribuição deste cão extraordinário.

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Cena do filme “Togo”. Imagem: reprodução/ Disney

Após a corrida do soro, Togo foi aposentado das competições de trenó. Seppala, profundamente ligado ao seu parceiro canino, levou Togo para viver na costa leste dos Estados Unidos, onde o cão herói passou seus últimos anos recebendo cuidados especiais. Togo faleceu em 1929, aos 16 anos, uma idade avançada para um cão que viveu com tanta intensidade.

Hoje, os restos mortais preservados de Togo estão em exibição no Museu do Iditarod em Wasilla, Alasca. Em 2001, a corrida do soro foi reconhecida como o evento esportivo mais significativo do século 20 no Alasca, honrando indiretamente o papel crucial de Togo nessa história.

 

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