A atriz conhecida por seu papel em ‘Um Duende em Nova York’ Zooey Deschanel, revelou que atuar ao lado de cães no cinema não é tão simples quanto parece. A atriz, que estrela o novo filme “Merv” ao lado de um parceiro canino, compartilhou os desafios e surpresas dos bastidores de uma produção com cachorros atores.

Crédito:Wilson Webb/Prime
Os desafios de trabalhar com cães no cinema
“Os cães são muito sérios”, conta Deschanel, de 45 anos. “Não é como se você pudesse abraçá-los. Na verdade, você não pode fazer isso quando eles estão trabalhando. Não é o que você está pensando.”
Em “Merv”, Deschanel e Charlie Cox (conhecido por “Demolidor”) interpretam ex-cônjuges que dividem a guarda do cachorro que dá nome ao filme. A trama gira em torno do pet que aparentemente está deprimido porque seus donos não formam mais um casal.

Todd Williamson/JanuaryImages
A atriz descreve que as filmagens trouxeram complicações únicas: “Há momentos em que você pensa: ‘Ok, a cena precisa funcionar’, mas aí eles precisam fazer o cachorro realizar alguma ação, e o treinador fica gritando ‘Vai, vai’, enquanto você tenta atuar ao mesmo tempo”. Segundo ela, trabalhar com um animal treinado exige adaptação, já que “o cachorro funciona de uma maneira muito diferente de um humano”.
Como Gus se tornou o protagonista canino de “Merv”
Embora vários cães diferentes tenham interpretado Merv nas filmagens, Gus (um terrier mestiço resgatado) foi o ator principal. A diretora Jessica Swale explica que utilizaram “alguns cães parecidos com o Merv para as cenas extras quando Gus estivesse descansando”.
Swale revela que “percorreu o país inteiro” para encontrar Gus, que possuía o tamanho e o temperamento ideais para o papel. “Foi um verdadeiro aprendizado, não só sobre o que os cães podem fazer, mas também sobre como contar a história deles diante das câmeras, e como apenas certos cães se encaixariam nesse perfil”, explica.
Deschanel não poupa elogios ao seu colega de cena: “Ele é extremamente bem treinado. É mais profissional do que a maioria das pessoas que conheço”, brinca a atriz, garantindo que Gus não teve nenhum acidente durante as gravações.
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A guarda compartilhada de pets após separações
A premissa do filme tocou Deschanel, que achou o conceito “muito fofo” e realista. “Conheço muitas pessoas que terminaram relacionamentos, mas compartilharam a guarda do cachorro, e isso gerou muito estresse e conflito”, conta a atriz.
“É como se você não pensasse nisso. Se você está em um relacionamento e adota um cachorro, você não pensa: ‘Ah, talvez eu tenha que compartilhar a guarda do cachorro’. O que acontece nesse caso?”, questiona Deschanel, levantando uma situação cada vez mais comum entre tutores de pets.
No filme, essa situação leva a férias na Flórida e um possível reencontro entre os donos de Merv, combinando comédia romântica com a realidade de muitos tutores separados.
Por que certos cães são escolhidos para atuar
A diretora Jessica Swale revelou que a escolha do cachorro para protagonizar um filme vai muito além da aparência. Questões técnicas são fundamentais para o sucesso das filmagens.
“Um dachshund, por exemplo, é super fofo, mas muito impraticável para filmar cenas emotivas”, explica. “Se você quer que a pessoa e o cachorro apareçam juntos na mesma foto, e o cachorro estiver a poucos centímetros do chão, você precisa se afastar muito para conseguir enquadrar os dois, o que resulta em menos detalhes e intimidade”.

Wilson Webb/Prime
Swale descreve sua comédia natalina como perfeita para assistir no inverno: “Tem piadas, neve, clima de férias, romance e aposentados engraçados dançando salsa. Além disso, um cachorro fofo que pode ou não ter sua própria história de amor”.
O filme “Merv” já está disponível no Prime Video para quem quiser conferir o trabalho do talentoso Gus e sua equipe de apoio canina.
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Produções Brasileiras
No Brasil, essa relação entre atores e cães no set também já apareceu no cinema recente. No filme Caramelo, estrelado por Rafael Vitti, o vira-lata Amendoim divide a cena com o elenco e carrega boa parte da narrativa, algo que, segundo o próprio ator, exigiu adaptação e paciência durante as gravações. Em entrevistas, Vitti comentou que o cachorro “tinha seu próprio tempo” e que muitas cenas precisaram respeitar o ritmo do animal, reforçando que trabalhar com cães demanda sensibilidade e flexibilidade, algo semelhante ao que Zooey Deschanel descreve ao falar dos bastidores de Merv.
Tanto em produções brasileiras quanto internacionais, os cães acabam roubando a cena, mas também lembram que, no cinema, eles são parceiros de trabalho com necessidades muito diferentes das humanas.