O Instituto Caramelo, organização dedicada ao resgate de animais abandonados, alerta que a concentração de mercado da união das gigantes pets no Brasil pode agravar o cenário de abandono no país. O possível monopólio pet resultante da fusão entre Petz e Cobasi fez Instituto Caramelo alerta que essa concentração de mercado vai afetar diretamente o bolso dos tutores e a sobrevivência de pequenos negócios do setor.

A fusão das duas gigantes do varejo pet está sendo analisada pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), e os números revelam uma realidade preocupante: juntas, as empresas podem controlar mais de 50% da distribuição e venda de produtos e serviços no setor pet brasileiro. Para os defensores dos animais, esse cenário de monopólio que pode ter consequências graves para milhões de pets e seus tutores.
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O que é o monopólio pet e por que preocupa tutores
O monopólio pet refere-se à concentração excessiva do mercado de produtos e serviços para animais domésticos nas mãos de poucas empresas. No caso da fusão Petz e Cobasi, especialistas temem que essa união resulte em menor concorrência e, consequentemente, preços mais altos para itens essenciais como ração, medicamentos e serviços veterinários.
A preocupação não é infundada. Uma nota técnica da consultoria Go Associados, desenvolvida por Gesner Oliveira, ex-presidente do CADE, aponta que a união pode resultar em alta de pelo menos 5% nos preços dos produtos nas redes combinadas. Esse aumento seria especialmente sentido fora dos grandes centros urbanos, onde a presença das megastores é dominante e a concorrência já é limitada.

O modelo de funcionamento do monopólio pet seguiria um padrão conhecido: inicialmente, as empresas adotariam promoções agressivas para enfraquecer a concorrência restante, ou seja, pequenos comerciantes. Em seguida, com o mercado sob controle, aproveitariam a posição dominante para elevar sistematicamente os preços, sem que os consumidores tenham alternativas viáveis para recorrer.
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Números alarmantes revelam conexão entre custos e abandono
A relação entre dificuldades financeiras e abandono animal não é apenas uma teoria, é uma realidade comprovada pelos dados. O Instituto Caramelo identifica que a dificuldade financeira dos tutores é uma das principais causas do crescimento do abandono animal no país, um problema que se agrava silenciosamente enquanto os custos de manutenção de um pet continuam subindo.
Pensar nisso é ainda mais preocupante quando consideramos que itens essenciais à saúde e bem-estar dos animais, como vacinas, consultas veterinárias, exames e medicamentos especializados, já representam um investimento considerável para muitas famílias brasileiras. Com o potencial monopólio pet, esses custos podem se tornar proibitivos para uma parcela ainda maior da população.

Os tutores de baixa renda são os mais vulneráveis nesse cenário. Para muitas famílias, a escolha entre manter um animal com todos os cuidados necessários ou destiná-lo à adoção (quando há essa possibilidade) ou ao abandono pode ser influenciada diretamente pelo encarecimento dos produtos e serviços pet. Cada real a mais no orçamento pet pode representar a diferença entre manter ou abandonar um animal de estimação.
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Como a fusão pode impactar o orçamento dos tutores
O impacto financeiro do possível monopólio pet vai além do aumento direto de preços. A concentração de mercado pode afetar toda a cadeia de suprimentos do setor, desde a distribuição de rações até a disponibilidade de medicamentos veterinários em clínicas menores, criando um efeito cascata que atinge todos os aspectos do cuidado animal.
Esse cenário é especialmente preocupante para pets que requerem cuidados especiais, como animais idosos ou com condições crônicas que demandam medicamentos contínuos, rações terapêuticas e acompanhamento veterinário frequente. Para esses casos, o encarecimento dos produtos pode tornar o tratamento adequado financeiramente inviável, colocando em risco o bem-estar do animal, e também a decisão da família de mantê-lo.
A mobilização social através da campanha #NãoAoMonopólioPet
Diante desse cenário preocupante, o Instituto Caramelo liderou a criação da campanha #NãoAoMonopólioPet, uma mobilização que utiliza redes sociais como YouTube, Instagram e TikTok para conscientizar a população sobre os riscos da fusão. A campanha busca reunir veterinários, tutores, comerciantes e defensores da causa animal em um movimento unificado de pressão às autoridades.
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O objetivo principal é demonstrar que o interesse público deve prevalecer sobre interesses econômicos privados. A campanha inclui um abaixo-assinado virtual que visa coletar milhares de assinaturas para influenciar a análise do CADE, mostrando o engajamento da sociedade civil com a questão e a preocupação genuína com o bem-estar animal.
Segundo Marília, representante do Instituto Caramelo, “essa campanha não é contra uma ou outra empresa. É a favor de um mercado justo, de preços acessíveis e, sobretudo, dos animais”. A mobilização representa uma tentativa da sociedade civil de participar ativamente de decisões que podem impactar diretamente milhões de animais e suas famílias por todo o Brasil.
A resposta das empresas às preocupações
Petz e Cobasi responderam às críticas através de um comunicado conjunto, negando que a fusão resultará em preocupações concorrenciais ou prejudicará a competição no setor. As empresas afirmam que o CADE realizou uma análise técnica e isenta, consultando amplamente o mercado e utilizando as melhores práticas para avaliar a operação.
As empresas destacaram seus programas sociais como evidência de compromisso com a causa animal. A Cobasi mantém desde 1998 o programa “Cobasi Cuida”, que já amparou mais de 200 mil animais, doou mais de 8 milhões de refeições e apoia 190 ONGs em todo o Brasil. Já a Petz desenvolve o “Adote Petz”, responsável por 85 mil adoções desde 2007, tendo doado R$ 6,9 milhões em produtos e serviços no ano passado.
Contudo, as empresas também levantaram questionamentos sobre a isenção do Instituto Caramelo, apontando que a organização é patrocinada pela Petlove, concorrente direta das companhias. Segundo o comunicado, o fundador da Petlove, Márcio Waldman, é conselheiro do Instituto Caramelo, o que, na visão das empresas, configura conflito de interesses na mobilização contra a fusão.