Blanquita

Ela chegou em 2003, quando eu tInha uns 8 anos e foi a minha primeira dog e amiga de pelagem grisalha. Desde o começo nossa relação foi de amor e ódio, já que ambas acabamos nos tornando as caçulas da família. Era um grude com a mamãe, dormindo sempre no seu edredom (mas do lado dela) e era por ela que mais ocorriam cenas de ciúmes, até o ponto que nem o pai podia chegar perto. Era sempre a última a se deitar e a primeira a nos acordar (já que não gostava de ficar muito tempo sozinha). Era a pet perfeita, já que sozinha aprendeu a nos dar licença quando falávamos “Permiso” (com licença em espanhol) e se direcionava para a porta da frente quando precisava fazer suas privacidades. Quando precisamos nos mudar de país, fizemos até o impossível para que ela não fica-se para atrás, e foi sempre assim até 2 anos atrás, quando foi ela que decidiu nos deixar. Pela sua tonalidade, não percebemos que a bebê (sempre foi tratada como uma) estava envelhecendo e que com os anos, doenças poderiam tomar conta dela. Foram inúmeras as vezes que passamos a noite em claro, visitando clínicas e sofrendo junto com ela, chorando de dó por ter que deixar ela sozinha no hospital ou de alegria quando a víamos voltando para casa. E foi em 2014 o nosso momento mais difícil: o coração dela estava comprometido. Com os múltiplos exames que foram aplicados, fomos avisados que o coração dela estava aumentando gradativamente de tamanho e que ela tinha poucos meses de vida, já que o pulmão e outros órgãos estavam sendo prejudicados. Todos os meses seguintes eram viagens ou saídas com as amigas sacrificadas, era alarme às 6 da manhã para o primeiro coquetel de remédios do dia, roupas nossas que abrimos mão para que a esquentassem, liberando um espaço na cama para dormir juntas, abraços e beijos sufocantes que a deixavam irritada, e muitas outras coisas mais. Infelizmente, ela decidiu partir em 13/12/2014, deitada na grama dando seu último adeus para nossa irmã mais velha, já que era a única que estava em casa naquele momento. Se passaram quase 2 anos que se foi, mas a sua falta se sente todos os dias.

Blanqui, só tenho que te agradecer pelos 11 anos que ficou do nosso lado e pelo amor incondicional que você nos ofereceu. Espero que onde você estiver tenha direito a um monte de pão de queijo que você tanto amava.
Eternas saudades.

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