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Bolinha

“Oi pessoal, meu nome é bolinha. Um dia eu fui de uma família que deve ter me comprado porque eu era da raça poodle. Como eu era neném, parecia demais, só que eu amava fazer um monte de baguncinha e eles me batiam, me faziam ficar com tanto medo que eu fazia até xixi em mim mesmo. Um dia, quando eu cresci, viram que eu não era de raça e me jogaram numa rodovia muito muito muito movimentada com caminhões e ônibus. Fiquei sozinho. Tentei ir num shopping que tem perto pra beber um pouco d’água, mas me expulsaram de lá e eu, muito triste, fui tentar brincar com um pessoal que estava no ponto de ônibus. Eu queria ser amigo de todo mundo, brincar com todo mundo, até que dois rapazes muito maus me deram um chute e uma moça me defendeu. Brigou com eles e me fez muito carinho. Eu tava todo sujinho, meus pelos estavam muito embolados, eu tinha uma ferida enorme na orelha que nem lembro como fiz, mas a moça não teve nojo. Ela brincou comigo e foi muito legal. O ônibus dela veio, ela se despediu de mim com os olhos cheios d’água, mas eu não ia deixar ela ir embora sem mim, entrei no ônibus com ela. Acho que cachorrinhos não podem andar de ônibus. A amiga dela me tirou no colo para ela poder ir embora e ela foi. Fiquei muito triste, sozinho no ponto, com medo e frio. Mas quando foi meia-noite aquela moça apareceu de novo, agora de carro, com o rosto inchado de tanto chorar. Eu fiz a maior festa quando a vi e agora eu sabia que ia ter uma nova mamãe, só não imaginava ter uma titia que me amassa e aperta todo dia. Uma vovó e um vovô que brincam comigo demais e mais 4 irmãos que vivem correndo no quintal comigo. Agora eu to feliz. Não preciso mais ter medo, nem ficar me escondendo. Eles me amam muito e eu os amo mais ainda. Agora sim, eu serei feliz para sempre!”

Bolinha foi encontrado no ponto de ônibus na frente do Polo Universitário de Macaé/RJ. Foi mais uma vítima de pessoas cruéis, que além de deixarem traumas psicológicos profundos, o abandonaram a própria sorte. Hoje ele vive comigo e com minha família e nunca mais na vida saberá o que é o abandono.

Foto de Rodrigo Amar
Postado por
Rodrigo Amar
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