Tutor que deixou cão amarrado em cerca durante furacão é absolvido pela justiça. Veja o destino do cão

O homem acusado de abandonar seu cachorro amarrado a uma cerca durante o furacão Milton na Flórida não enfrentará a justiça. As acusações contra Giovanny Aldama Garcia foram retiradas pelo gabinete do promotor estadual do condado de Hillsborough, gerando forte indignação entre defensores dos direitos dos animais e a família que adotou o cão resgatado.

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Garcia disse às autoridades que deixou seu cachorro, Jumbo, porque “não conseguiu encontrar ninguém para buscá-lo”, revelou Lopez na época.

O caso que revoltou a Flórida

Em 9 de outubro de 2024, enquanto o furacão Milton de categoria 3 atingia a costa da Flórida com chuvas intensas, um filhote de bull terrier foi encontrado amarrado a uma cerca na lateral da rodovia I-75. Imagens da Patrulha Rodoviária mostraram o cachorro latindo desesperadamente, com água já na altura do estômago.

O cão foi resgatado pelo policial rodoviário Orlando Morales e posteriormente batizado de Trooper (Policial, em inglês). Na época, autoridades identificaram Giovanny Aldama Garcia, de 23 anos, como o tutor que havia abandonado o animal enquanto evacuava o estado para escapar da tempestade.

Garcia afirmou às autoridades que deixou seu cachorro, que ele chamava de Jumbo, porque “não conseguiu encontrar ninguém para buscá-lo”. Se condenado por crueldade animal, um crime de terceiro grau na Flórida, ele poderia enfrentar até cinco anos de prisão.

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Bull terrier foi encontrado amarrado a uma cerca na Flórida durante uma evacuação devido ao furacão imagem: FOX Weather

Segundo documento do gabinete da promotora Suzy Lopez, as acusações foram rejeitadas por falta de evidências suficientes. “Os fatos retratados no vídeo e as declarações não sustentam a teoria de que o cachorro foi preso à cerca de forma intencional”, explicou o memorando.

Os promotores acrescentaram que “a falha em localizar o cachorro durante uma evacuação de emergência não equivale a uma omissão criminosa”, argumentação que causou perplexidade entre os envolvidos no resgate do animal.

Lisa Glunt, diretora da Leon County Humane Society, organização que inicialmente acolheu Trooper, expressou sua frustração: “Fiquei decepcionada e chocada. Realmente achamos que isso seria levado a sério, considerando que o estado da Flórida agora tem uma lei em vigor criada por causa desse cachorro e esse incidente.”

Da tragédia inspirou uma nova lei

O caso de Trooper teve impacto tão significativo que inspirou uma nova legislação estadual. Em maio, o governador Ron DeSantis sancionou o Projeto de Lei 150 do Senado da Flórida, oficialmente chamado de Lei dos Policiais, em homenagem ao cachorro resgatado.

A nova lei tornou crime conter e abandonar cães durante evacuações obrigatórias ou voluntárias durante desastres naturais declarados. Na cerimônia de assinatura, DeSantis declarou: “Em toda a Flórida, presenciamos casos horríveis de crueldade contra animais que exigem uma resposta mais firme. Tive orgulho de assinar a Lei dos Policiais hoje. A Flórida apoia o melhor amigo do homem.”

Ironicamente, a lei entrou em vigor em todo o estado no mesmo mês em que as acusações contra Garcia foram retiradas, o que intensificou ainda mais a controvérsia.

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Após seu dramático resgate, Trooper foi adotado por Frank e Karla Spina, que também expressaram revolta com a decisão judicial. “Bem, ele se amarrou? O Trooper se amarrou? Coloque isso diante de um júri e pergunte: ‘Você acredita que o Trooper, o cachorro, se amarrou a um poste?'”, questionou Frank Spina em entrevista.

A história de Trooper revelou-se ainda mais comovente quando exames veterinários diagnosticaram câncer no animal, exigindo a remoção de vários tumores. Os médicos também descobriram que o cachorro havia ingerido aproximadamente 120 objetos estranhos, incluindo metal e plástico, provavelmente devido à fome extrema.

“Você consegue imaginar o quão faminto ele deve ter ficado para ingerir um pedaço de metal ou pedaços de borracha do tamanho de moedas de 25 centavos?”, comentou Frank à imprensa.

Apesar das controvérsias judiciais, o legado de Trooper permanece vivo na legislação que leva seu nome e que pretende evitar que outros animais enfrentem abandono semelhante durante futuros desastres naturais na Flórida.

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