Cães de pelagem azul brilhante foram encontrados na zona de exclusão de Chernobyl, mas a explicação para a coloração incomum não tem relação com radiação. Cientistas revelaram que os animais provavelmente rolaram em um banheiro químico tombado, desmistificando teorias sobre mutações genéticas que circulavam nas redes sociais desde que as imagens viralizaram em outubro.

Jam Press/@dogsofchernobyl
A origem dos cães azuis de Chernobyl
O caso ganhou atenção mundial após o programa Cães de Chernobyl compartilhar no Facebook fotos de três cães com pelagem azul-pervinca. As imagens rapidamente se espalharam pelas redes sociais, gerando especulações sobre possíveis efeitos da radiação nos animais que habitam a área do desastre nuclear de 1986.
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Os cães em questão fazem parte de uma população de aproximadamente 700 animais que vivem dentro da zona de exclusão de 46 quilômetros quadrados ao redor da antiga usina nuclear. Esses animais são descendentes de pets abandonados durante a evacuação forçada após o acidente.
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A explicação científica por trás da coloração
O Dr. Timothy A. Mousseau, cientista da Universidade da Carolina do Sul ligado à Clean Futures Fund (CFF), esclareceu a situação em uma publicação oficial: “A coloração azul era simplesmente um sinal do comportamento anti-higiênico do cachorro!”
Segundo o especialista, os cachorros provavelmente rolaram em um banheiro químico tombado na região, comportamento comum entre caninos. “Como qualquer dono de cachorro sabe, a maioria dos cães come praticamente qualquer coisa, inclusive fezes!”, explicou Mousseau, rejeitando completamente as teorias sobre mutações genéticas induzidas pela radiação.
Desde 2017, o programa Cães de Chernobyl, uma iniciativa da organização sem fins lucrativos Clean Futures Fund, tem cuidado desses animais que vivem em uma das áreas mais radioativas do planeta. A radiação na zona de exclusão permanece seis vezes superior à exposição permitida para trabalhadores humanos.

Curiosamente, um estudo publicado em 2024 descobriu que alguns cães da região desenvolveram uma mutação que lhes confere imunidade à radiação, à poluição e a metais pesados. Este dado científico, diferente do caso da coloração azul, demonstra como esses animais vêm se adaptando ao ambiente hostil onde a vida selvagem prosperou após o êxodo humano.
Aqui também temos uma matéria explicando: Cães de Chernobyl desenvolvem mutações genéticas únicas
Especialistas estimam que a zona de exclusão de Chernobyl não será habitável por humanos pelos próximos 3.000 anos, mas a população canina e outras espécies continuam a se desenvolver neste laboratório natural único.