Flock Imhoff

Um dia fui visitar minha tia e na frente de seu apartamento tinha uma agropecuária onde tinha um cachorrinho que latia muito, fui lá ver. Quando cheguei lá vi um neguinho lindo, elétrico, ligado no 220v. Ele pedia carinho, atenção só para ele. Estava em uma cerquinha pequena junto com uma casinha em que ele subia no telhado, tinha em torno de quatro meses. O dono da agropecuária disse que sua irmã tinha sido vendida logo, mas que ele ficou para trás e estava cobrando R$ 50,00 por ele. Era mestiço de Poodle com alguma outra raça, acredito que Cocker.
Me apaixonei por ele na hora em que o vi, mas nunca imaginei em levá-lo para casa, pois já tinha tirado vários da rua e minha mãe fazia eu encontrar donos para eles…
Mas… após alguns dias… quando eu volto da escola vejo aquela bola de neve pretinha na sacada, pulando, brincando, vindo em minha direção… foi uma alegria imensa, contagiante. Nunca me senti tão feliz! Era tudo o que faltava na nossa família, o nosso bebê, isso em meados de 2007.
O Flock era um filhote normal, fazia xixi nas nossas camas, principalmente nos travesseiros, roía os pés das mesas e cadeiras, até o concreto chegou a roer! Ele era acostumado a levar o lixo junto com o meu pai, não ia para a rua, mesmo sem coleira, mas somente com meu pai. Até que um dia… meu pai foi levar o lixo e eu larguei o Flock pra fora e avisei o pai, mas ele não ouviu… meu pai abriu a porta de entrada e nesse meio tempo o Flock foi para o meio da Avenida, mesmo sendo uma cidade do interior do RS é movimentada nos finais de semana, era um domingo, 7 horas da noite. Lembro da minha vizinha me chamar pois ouviu um grito de um cachorro, o Flock tinha sido atropelado, passou por debaixo de outros dois carros.
Desci as escadas correndo, tirei os chinelos para correr mais rápido, corri por entre os carros, aos gritos pedindo para pararem, pois era meu cachorro. Um Jeep parou no trevo perto da minha casa, o Flock assustado estava sem reação. Um rapaz estava vindo e eu pedi para me ajudar a pegá-lo, ele pulou a grade do trevo mas teve medo para mexer no Flock, então eu fiz a volta e o peguei em meu colo, aos prantos. Visivelmente ele tinha apenas um corte superficial na perna.
Mas como levávamos ele no veterinário apenas para fazer as vacinas não sabíamos o que tinha acontecido. No atropelamento ele bateu forte a cabeça e o deixou com sequelas, ficando agressivo, ele dormia com meus pais e várias vezes minha mãe teve que dormir com minha irmã ou comigo pois ele ameaçava morder se tentasse entrar no quarto. Como éramos leigos no assunto não procuramos ajuda especializada, com toda certeza, se tivéssemos procurado estaríamos com ele até hoje.
Chegamos ao ponto que compramos uma casinha e o deixamos na sacada (que é maior que o meu quarto), pois não podíamos tê-lo dentro de casa. O veterinário dizia para doá-lo, tentamos uma vez, a adoção deu certo, mas tivemos saudades e o pedimos de volta, a família ficou muito chateada… ficamos com ele mais alguns meses, até que meu pai, que tinha a sagrada mania de caminhar todos os dias com ele encontrou um homem que se encantou com o Flock, achou ele muito lindo e meu pai perguntou se ele queria adotá-lo, ele aceitou na hora. Meu pai voltou para casa, buscou as coisinhas dele e o doou. A primeira semana foi difícil, muito choro, fomos atrás desse homem para devolver o Flock e ele disse que não iria devolver pois seu filho e seus dois outros cachorros tinham se adaptado muito bem, o único problema é que o Flock latia muito, mas era um amor.
O Flock conviveu conosco cerca de dois anos. Erramos em não procurar ajuda específica, mas ele também precisava de outros animais e de uma casa com pátio. A única coisa que me arrependo é não ter o contato de seu adotante. Mas tenho toda a certeza de que ele está bem cuidado como sempre mereceu!
Flock, eu te amo, sempre te amarei!

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