Picachu
Oi, gente! Meu nome é Picachu. Originalmente vim de outras duas famílias que tiveram que me abandonar, principalmente por não poder criar animais no apartamento. Cheguei na casa da minha dona Marina já com 3 anos, triste e com medo de tudo, mas principalmente traumatizado com abandono; sempre fui carente e nunca gostei de ficar sozinho em casa. Tentaram mudar o meu nome mas eu só atendia por Picachu! Logo logo fui me acostumando à minha nova casa. Mesmo não sendo totalmente bem-vindo (por ser cachorrinho e sujar a casa), acabei conquistando o coração de todo mundo e me tornando membro da família! Todas as viagens eu também ia no carro e gostava de ficar no banco da frente com o focinho no ar-condicionado.
Com 12 aninhos meu olhinho começou a ficar opaco e esbranquiçado e o doutor disse que eu estava com catarata e era pela velhice mesmo, infelizmente ia perder a visão. Não fiquei triste nem nada, porque eu já conhecia a casa toda e mesmo cego e cansado nunca deixei de seguir meus donos pela casa quando se levantavam. Quando eu era novinho, sempre acordava no mesmo horário e acordava meus donos passando as patinhas pelo rosto deles. Depois que fiquei velhinho, comecei a ter muito mais sono, dormia muito… então eu me dei ao luxo de acordar mais tarde e ser acordado, dessa vez, por eles.
Cheguei a fazer 15 aninhos, porém com muitos problemas em todo o meu corpo, tomava 3 remédios por dia e muitas vezes dormia de fralda, mas nunca reclamei. Mas teve um dia que eu acordei e não quis mais comer, nem beber água e me sentia muito fraquinho… passei 3 dias sem fome e deitado, tão cansado… meus donos muito preocupados me levaram novamente no doutor Paulo Sérgio (já éramos amigos, eu ia muito lá) que conversou comigo e me colocou no soro o dia todo. Aquele dia eu dormi muito pra me recuperar, mas estava tão cansado… acho que minha vidinha de cachorro durou muito. No fim do dia minha dona me levou para casa, mas já vim para descansar. Aquele dia virei estrelinha deitado no meu travesseiro preferido com minha mantinha azul, ao lado dela. Fui enterrado com minha mantinha e estou brincando muito com ela no ceuzinho dos cachorros. Agradeço por toda a vida boa que tive e por toda a paciência e as sujeirinhas limpadas. Minha dona jura que ainda ouve minhas patinhas pisando o assoalho tarde da noite! Quem sabe? Sei que deixei muita saudade mas também tenho outras pessoas para alegrar! Agora enxergo e corro novamente no céu. Até um dia!
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