Oi, eu sou o Theo e tenho 1 ano. Minha mãe diz que eu sou o loiro mais lindo do mundo (mais até que o Brad Pitt!), e eu acredito nela. Sou um spitz alemão pequeno, e tenho um irmão que chama Pom, que é o neguinho da mamãe. Ele é mais velho que eu, mas como é um spitz anão eu sempre ganho dele nas nossas brincadeiras. Ele é um pouco briguento, fica querendo mandar em mim, mas sei que me ama como todos da minha nova família e só quer mostrar que ele é o chefe.
Vim contar minha história, pra mostrar que “cachorro de raça” também sofre e é maltratado. Fui comprado de um canil por outra família…Eu era lindinho, loirinho e parecia uma bolinha de pelo. Mas aí eu cresci! Comecei a ficar arteiro, a comer coisas que não devia, a latir bastante e a minha antiga família não gostou disso…Eu ainda faço tudo isso, mas minha nova família gosta de mim do jeitinho que sou.
Na minha antiga casa eu era deixado para fora, não podia entrar de jeito nenhum, enquanto minha antiga irmãzinha vivia dentro de casa. Nunca tinha passeado na rua.
Mas aí uma amiga da minha mamãe sabe que ela tinha meu irmão da mesma raça que eu e falou de mim. Mamãe caiu de amores por mim só de me ver em fotos. Quase deixou minha vovó louca porque queria me levar pra casa, e minha vovó nem meu vovô queriam um novo netinho. Mas minha mamãe é insistente e determinada, e um tempo depois eu já estava conquistando todos no meu novo lar. Demorou um pouco pra mamãe conseguir me pegar porque nossa casa estava reformando e eles estavam morando na casa da bisa. A minha mamãe conversou com minha antiga família, explicou o problema e eles disseram que não tinha problema minha mamãe me pegar em 1 semana depois. No dia combinado, minha mamãe ficou sabendo que minha antiga família havia me deixado num “hotelzinho” por 1 semana, só que esse “hotelzinho” eram gaiolinhas. Quando minha mamãe foi me buscar nesse lugar horrível, ela me ouvia chorando muito. Conversou com o dono e ficou sabendo que me despacharam lá sem n-a-d-a. O dono do lugar que teve que comprar ração pra mim, porque eu fui com uma mão na frente e outra atrás. Também ficou sabendo que minha antiga família já teve muitos cachorros, todos “de raça”, mas se desfizeram deles do mesmo jeito que se desfizeram de mim. Graças a Deus minha mamãe apareceu para me resgatar!
Hoje encontrei uma família que me ama e me mima muito. Ainda tenho traumas emocionais por causa da minha família anterior, mas estou conseguindo supera-los com muito amor e carinho.
Só me deixa muito triste saber que outros amiguinhos estão na mesma situação que eu, sendo “de raça” ou SRD. Não entendo porque as pessoas resolvem pagar uma pequena fortuna por um cachorrinho de raça se vão se desfazer deles logo. Não somos brinquedos! Temos sentimentos e muito amor pra dar. Pena que nem todo mundo nos enxerga assim, só nos vê como um bichinho de pelúcia que cresce e fica inconveniente. Mas Deus é bom e há de colocar anjos no caminho de todos nós cachorrinhos, pra nos acolher e amar. Espero que minha mamãe adote logo mais irmãozinhos pra gente fazer bastante bagunça e deixar o Pom doidinho com isso.
Theo
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