O comércio ilegal de filhotes na União Europeia movimenta 4,6 bilhões de euros anualmente, com 79% dos cães vendidos não podendo ser rastreados até fontes verificadas ou legais. A informação foi divulgada em 11 de novembro de 2024 pela organização global de bem-estar animal FOUR PAWS, que investigou sites de anúncios classificados em 21 países da UE e identificou que são necessários quase seis milhões de cães por ano para atender à demanda.

Os números do comércio ilegal de filhotes na Europa
O relatório da FOUR PAWS revelou que a maioria dos anúncios de cães, em média, quatro em cada cinco, oferecia filhotes à venda de forma ilegal. Em países como França, Alemanha e Itália, mais de 2.000 novos anúncios de cães são publicados diariamente. Na Polônia, esse número chega a ultrapassar 4.000 anúncios por dia.
A investigação encontrou diferenças de preço de até 1.300 euros entre filhotes anunciados na Europa Oriental e Ocidental. Essa disparidade de valores, combinada com a falta de sistemas de verificação na maioria dos sites de anúncios classificados e o baixo risco de punição, cria fortes incentivos para o contrabando de filhotes.
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“Esse comércio ilegal não só prejudica os animais em busca de lucro rápido, como também expõe compradores desavisados a cães potencialmente doentes, que muitas vezes possuem documentos de vacinação falsificados ou inexistentes”, afirma Nick Weston, Chefe de Campanhas de Animais de Companhia da FOUR PAWS.
Por que o comércio ilegal de filhotes é difícil de controlar
Embora a Comissão Europeia tenha reconhecido o comércio ilegal de animais de estimação como crime organizado, a fragilidade da regulamentação continua permitindo que o setor prospere. A falta de sistemas de verificação em sites de anúncios classificados e as diferenças entre as legislações nacionais tornam praticamente impossível rastrear e regular o comércio de filhotes em toda a União Europeia.
As redes criminosas se aproveitam dessas lacunas legislativas para lucrar com a criação intensiva de raças populares em condições desumanas e com a venda online de cachorros importados ilegalmente, frequentemente menores de idade ou não vacinados adequadamente.

Os filhotes comercializados ilegalmente são particularmente vulneráveis a doenças graves e potencialmente fatais. Muitos sofrem de parvovirose — uma infecção viral que causa vômitos, diarreia sanguinolenta e desidratação severa —, parasitas e infecções pulmonares.
Um caso revelador foi documentado na Alemanha, onde uma família comprou um filhote de Yorkshire Terrier por 750 euros após encontrar um anúncio online. O vendedor garantiu que o animal tinha todas as vacinas obrigatórias e pedigree, mas logo após a compra, a situação mudou drasticamente. Pesando apenas 600 gramas, o pequeno Yorkshire parou de comer, desenvolveu problemas estomacais graves e entrou em coma.
Levado ao veterinário, o filhote foi diagnosticado com parvovirose, parasitas e diabetes. Apenas medicamentos fortes e cuidados intensivos salvaram o cachorro. A família, além do trauma emocional, enfrentou altos custos veterinários não planejados.
O que está sendo feito para combater o problema
A FOUR PAWS insta a União Europeia a implementar medidas mais rigorosas para conter o comércio ilegal. Entre as recomendações estão a identificação e o registro obrigatórios de todos os cães e animais de estimação, bem como a criação de sistemas de verificação em sites de anúncios classificados que consultem o registro dos cães antes da publicação de qualquer anúncio.
“Os membros do Parlamento Europeu devem agir agora para proteger o bem-estar das pessoas e de seus melhores amigos. Somente anúncios de animais registrados, de vendedores rastreáveis, devem ser permitidos em sites de classificados. Esse comércio cruel só terá fim se as leis da UE forem reforçadas”, destaca Weston.
Enquanto essas mudanças não são implementadas, a organização recomenda que potenciais compradores de filhotes estejam alertas aos sinais de comércio ilegal: preços muito baixos, vendedores que sugerem entregar o animal em locais públicos, filhotes muito jovens (menos de 8 semanas) e falta de documentação completa de vacinação e microchip.
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