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Inovação e Ética: conheça aqui as tecnologias que substituem testes de cosméticos em animais

Os testes em animais para cosméticos estão cada vez mais distantes do presente. Com avanços científicos e mudanças regulatórias, métodos inovadores como bioimpressão de pele, organoides, chips de órgãos, simulações computacionais e modelos celulares humanos têm ganhado espaço. Este artigo explora essas tecnologias que tornam os testes mais éticos, precisos e até mais econômicos.

Peles em impressão 3D. Imagem: reprodução

Proibição no Brasil e adoção global

Em agosto de 2025, o presidente Lula sancionou a proibição de testes de cosméticos, perfumes e produtos de higiene pessoal em animais no Brasil. O país agora se alinha a nações como Israel, Nova Zelândia, Índia e vários membros da União Europeia que já praticavam essa proibição.

Leia sobre essa lei: Lei proíbe testes em animais para cosméticos no Brasil


Empresas brasileiras como Natura e O Boticário já utilizam alternativas: a Natura investe em bioimpressão de tecidos e mantém certificações cruelty-free, enquanto O Boticário aboliu testes animais desde 2000 e opera com bancos de dados toxicológicos e parcerias acadêmicas.

Modelos in vitro e bioimpressão de pele

A L’Oréal desenvolveu a EpiSkin, um modelo de pele humana artificial usado em larga escala para substituir testes em animais como coelhos. Mais recentemente, criou pele bioprintada que pode “sentir” o toque, usando tecnologia melt electro writing (MEW), acelerando o processo de produção para 18 dias e fornecendo retorno sensorial durante os testes.

Organoides são estruturas tridimensionais auto-organizadas que imitam a arquitetura e funções de órgãos reais, derivadas de células-tronco ou células especializadas. São utilizados em ensaios toxicológicos e pesquisa avançada de cosméticos.

Pele artificial no laboratório do Centro de Pesquisas do Grupo Boticário. Imagem: Guilherme Pupo

Os devices chamados organs-on-chips são microchips que reproduzem microambientes fisiológicos com fluxo, pH, estímulos mecânicos e elétricos, simulando tecidos humanos com alta fidelidade. Financeiras e empresas como Procter & Gamble investem nessa tecnologia para prever efeitos de longo prazo com mais precisão e menos crueldade.
O FDA dos Estados Unidos também reconhece essa classe de metodologias como parte das novas alternativas aos métodos animais.

Simulações computacionais e inteligência artificial

Métodos in silico envolvem modelagem computacional, simulações, aprendizado de máquina e inteligência artificial (IA). Essas técnicas podem prever interações biológicas e toxicidade antes mesmo de testes físicos.
Um exemplo prático é o sistema RASAR, que em 2018 alcançou 87% de precisão na previsão de toxicidade química, contra 81% dos testes em animais.

Outra alternativa são modelos com tecidos humanos doados cirurgicamente, como pele e olhos, cultivados em laboratório. Essas culturas tridimensionais são mais seguras e humanas em comparação aos testes em animais.
Também são usados testadores voluntários humanos, após avaliações in vitro, com fortes protocolos éticos e consentimento informado.

Leia esse artigo: Coreia do Sul aprova lei histórica e proíbe consumo de carne de …

Os 3Rs – ética orientadora

O princípio dos 3Rs — Substituição, Redução e Refinamento — continua a guiar a evolução dos testes éticos. Substituir animais por métodos alternativos; reduzir o número de animais quando inevitável; e refinar técnicas para diminuir sofrimento

Animais que estavam em testes com aplicação de antibióticos e pomadas – imagens de 2013. Foto: reprodução G1
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Letícia
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