A Câmara dos Representantes Regional de Jacarta (DPRD) anunciou a proibição da distribuição e comércio de carne de cachorro e gato na capital indonésia. A medida, apoiada pelo governador Pramono Anung Wibowo, será implementada por meio de um decreto governamental nos próximos 30 dias, visando combater riscos à saúde pública e maus-tratos aos animais.

O que diz a nova regulamentação
O governador Pramono Anung Wibowo confirmou que emitirá um decreto governamental (Pergub) proibindo especificamente o comércio e consumo de carne de cachorro e gato em Jacarta, capital da Indonésia. A medida deve ser finalizada dentro de um mês, segundo declaração oficial feita em 13 de outubro de 2025.
Francine Widjojo, membro da Câmara dos Representantes Regional de Jacarta (DPRD), afirmou que a instituição apoiará integralmente a iniciativa. “Nós, do DPRD de Jacarta, ajudaremos a supervisionar o decreto governamental e os decretos regionais para impedir a distribuição ilegal”, declarou a política do Partido Solidariedade da Indonésia.
Por que Jacarta decidiu proibir a carne de cachorro
A proibição baseia-se principalmente em preocupações com a saúde pública, especialmente o risco de transmissão da raiva. A medida faz parte de um plano nacional mais amplo que visa erradicar a doença na Indonésia até 2030.
Francine Widjojo também destacou as questões de bem-estar animal como fator importante para a decisão. “Além das questões de saúde, geralmente os cães comercializados são roubados, envenenados e maltratados pelos traficantes”, explicou a representante.
A demanda pública por uma Jacarta livre do consumo de carne canina também influenciou a decisão, conforme mencionado pelo próprio governador Pramono: “Portanto, carne de cachorro não será consumida em Jacarta”.
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Os números alarmantes do comércio de carne canina
De acordo com a Coalizão Indonésia Livre de Carne de Cachorro (DMFI), aproximadamente 9.000 cães são fornecidos mensalmente para matadouros em Jacarta desde 2013. Esse dado alarmante foi revelado por Marry Ferdinandes, diretora de operações da DMFI, durante coletiva de imprensa com o governador.

A maior parte desses animais vem de Java Ocidental e Bali, conforme investigações da organização. Os maiores matadouros da capital estão localizados nas regiões de Cawang e Cibubur, onde a prática ainda ocorre abertamente, apesar dos crescentes protestos.
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Perspectivas para o futuro
Espera-se que a regulamentação de Jacarta sirva como modelo para outras regiões da Indonésia onde o consumo de carne de cão e gato ainda é praticado. A representante Francine acredita que a capital pode liderar esse movimento de mudança em nível nacional.
A Coalizão DMFI, que trabalha para acabar com o comércio e consumo de cães e gatos em todo o país, continuará monitorando a situação após a implementação da proibição, garantindo que os estabelecimentos que comercializam esses produtos sejam efetivamente fechados.