Lidando com a adoção e a compra de cachorros

A falta de estrutura e de políticas públicas aliadas ao desrespeito pela lei, que vai desde os criadores ilegais aos pseudo-tutores que abandonam cães nas ruas todos os dias, transformou a situação de muitos animais do nosso país em um verdadeiro caos, sentenciado milhões a zanzar pelas ruas, com fome e doentes, enfrentando a morte iminente no próximo carro ou nos já lotados CCZs.

Adoção e compra de animais. Foto: Reprodução
Adoção e compra de animais. Foto: Reprodução

Sabendo dessa realidade e querendo ver uma mudança, aqui no Portal, nós SEMPRE incentivamos a adoção de animais por saber e conhecer a briga a ser travada contra o descaso. Desde o princípio a adoção é uma prioridade em nossos temas e ações.

Atualmente, além de incentivar através de nosso trabalho diário e abrir espaço para iniciativas e projetos que ajudam animais, estamos desenvolvendo o site “Ong na Minha Cidade“, um projeto paralelo dos administradores do Portal do Dog que será um banco de dados com o intuito de construir uma ponte entre possíveis adotantes e os animais e dar visibilidade ao trabalho magnífico feito por organizações não governamentais que resgatam animais que se encontram em situação de abandono, negligência e sofrimento.

Esse é o nosso trabalho e a nossa escolha, o que não nos dá o direito de impor o nosso pensamento ao outro. O que nós podemos fazer é trocar informações e, quem sabe, inspirar com o exemplo.

Demonizar, generalizar ou não admitir que há criadores que são sérios e que há pessoas que compram  de locais comprometidos e amam seus cães, não irá ajudar em nada a gerar uma conscientização. É colocar a culpa nos que não são os culpados e simplificar um problema muito mais complexo do que aparece na superfície.

Independente de como você se sinta em relação ao comércio de animais, ele existe e é permitido em nosso país. Por isso, batemos na tecla que é importante a troca de conhecimento e a educação do grande público quanto ao tema. Algumas pessoas vão comprar um cachorro de determinada raça por vários motivos, desde uma afeição especial até as qualidades e predisposições da raça (como por exemplo os cachorros que trabalhavam com pastoreio). Então, se a decisão é essa, que o façam de maneira responsável.

Estamos sempre insistindo que, antes de comprar, chequem se o criador é sério e regularizado, que não comprem de petshops, que pratiquem a posse responsável. Que se a nossa justiça é morosa e falha e a falta de fiscalização é praticamente uma regra, que sejamos conscientes o suficiente em não alimentar o comércio ilegal de animais ao dar dinheiro a fábricas de filhotes e criadores de fundo de quintal, que continuam por ainda ter lucro na exploração desenfreada. (Ler mais em “Como saber se o criador do meu cachorro é sério?“)

Como se não bastasse o preconceito que o SRD enfrenta, agora notamos uma certa aversão de algumas pessoas a cães de raça definida. Munidos de muito julgamento e geralmente com pouco trabalho pela causa, soltam seus “por que um cachorro de raça” ou “por que não adotou?”, sem nem saber da história por trás de cada um e esquecendo o fato que nem todos os cães disponíveis para adoção são SRDs.

Eu sei que um dia, talvez não na minha vida, nossa sociedade não vai mais olhar para cães SRDs e não enxergar falta de status, olhar para cães de raça definida e não enxergar o comércio ilegal de animais, enxergar cães idosos e com necessidades especiais e não enxergar um objeto descartável… E que essa discussão de adoção e compra será tão defasada, que irão nos perguntar como um dia fomos tão atrasados. Nesse futuro, todos serão o que são: cachorros, amigos leais e companheiros.

Até lá, continuaremos defendemos que a melhor maneira de ensinar, conviver e incentivar a adoção não é xingar a escolha alheia e sim focar toda essa energia em começar ou continuar a ajudar. Polarizar é cortar o diálogo com o “outro lado”, é julgar e se fechar em sua verdade sem se permitir conhecer pontos de vista diferentes.

O ato de receber em cachorro em sua vida, através da adoção ou da compra, e verdadeiramente apreciá-lo, garantir que ele tenha uma vida decente e confortável, praticando a posse responsável até o mais íntimo do seu significado, para nós esse é o importante.

 

Atualização 22/04

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