Cães possessivos: como lidar?

“Hércules aparentemente é manso. O problema dele é a possessão. Temos outra cadela, a Morgana, de oito meses, e ele não a deixa fazer nada. Se ela pega um brinquedo que está jogado no chão, ele avança nela para pegá-lo. Ele também acha que o espaço debaixo da mesa é só dele. Outro dia estávamos todos sentados à mesa e ele estava embaixo da mesma, quando Morgana entrou, ele mordeu o rosto dela (abaixo do olho), tirando sangue. Ele é assim, se eu pego a bolinha dele, ele avança, se ele quer comer a comida da Morgana, não a deixa comer e, se eu vou corrigi-lo e mandá-lo comer a dele, ele rosna para mim ficando em posição de ataque. Ele só obedece e sai de perto quando pego a vara e a bato no chão ou no portão. Às vezes, fico com medo dele.”

Por Amagoya Garcia, franqueada e adestradora da Cão Cidadão.

É bem comum uma família ter um cão já adulto e inserir um filhote na casa. O objetivo dessa família é trazer um novo amigo para o seu pet, para que ambos sejam inseparáveis e brinquem muito. Espera aí!  Nem sempre é assim, né?  Muitas vezes dá certo, porém, se a introdução desse filhote não for feita de maneira correta, pode gerar muitos problemas. Veja algumas dificuldades que podem ocorrer:

  1. Seu pet tinha a atenção de todos somente para ele.
  2. Todos os brinquedos, petiscos e brincadeiras eram exclusivamente dele.
  3. A energia do seu pet adulto é muito diferente da energia de um filhote, os comportamentos também.
  4. Filhotes, 100% das vezes, são muito fofos. Acaba sendo comum a família ficar “paparicando” o novo pet e deixar de lado o mais velho.
  5. Pode acontecer de a família dar broncas no mais velho, por ele não querer aceitar o seu novo amigo, porém o cão não foi preparado para receber esse filhote “serelepe”, e isso se torna preocupante e, às vezes, perigoso.

Primeiramente, é necessário ensinar limites aos dois (ter alguns comandos treinados ajuda bastante, como o “Senta”, “Fica” e “Não”).

É possível também colocar os dois na guia e, em uma distância segura, trabalhar com eles treinos diários, mostrando para o cão adulto que quando o filhote está presente ele tem toda a atenção e é recompensado por ficar calmo. Agindo dessa forma, você impede o filhote de ir para cima do Hércules e consegue recompensá-lo por esperar e ficar tranquilo aguardando a sua vez.

Com o pet mais velho, identifique algum petisco de muito valor para ele, pois recompensá-lo enquanto o filhote pega um brinquedo, come ou brinca dando seus “saltitos” de alegria é um ótimo reforço. Se isso se manter, o animal vai perceber que é mais recompensado ficando tranquilo e sem reagir do que quando ataca.

Com relação à posse de Hércules, é importante ser bem paciente, porque ele pode ter sido reforçado a pensar que você roubará o brinquedo ou a comida dele, e que todas as vezes que você se aproxima é para dar bronca ou tirar algo.

Identifique uma distância que o Hércules não reaja com a sua aproximação. A partir daí, comece os treinos.

Sempre que você for se aproximar dele, dê um petisco e se afaste. Aos poucos, ele mesmo se aproximará e perceberá que você não quer roubar nada dele e muito menos dar bronca, pois toda vez que você se aproxima ele é recompensado e pode continuar tranquilo.

Aos poucos, a tolerância dele aumentará e a associação à aproximação de pessoas também será transformada em algo bom.  Faça isso com o filhote também. Sempre que ele se aproximar, tire o foco do Hércules chamando-o para você e recompense-o.

Com estas dicas o mais velho tenderá a ficar mais tranquilo com a presença do filhote e menos agressivo com a aproximação de todos.

Já o lugar embaixo da mesa, desfoque esse lugar como o preferido. Sempre que ele estiver lá, chame-o e recompense-o por estar fora da mesa.

Se antes “rolava uma comidinha” do almoço embaixo da mesa, comece a oferecê-la somente quando o cão não estiver debaixo dela. Isso serve também para a Morgana.

As associações positivas nos pets fazem toda diferença para eles, trocando um comportamento estressante por um tranquilo.

Conte com a ajuda de um profissional da Cão Cidadão.

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