Cão ganha marca-passo. Uma revolução na medicina veterinária

Imagine seu amigo de quatro patas, sempre cheio de energia, de repente enfrentando desmaios e dificuldades para andar. Foi o que aconteceu com Policarpo, um cãozinho de 13 anos, diagnosticado com um problema cardíaco sério. Quando tudo parecia estar perdido, um feito inédito na medicina veterinária do Uruguai, o cão foi submetido a uma cirurgia para colocar um marca-passo, o que reacendeu a esperança e deu a Policarpo uma nova chance de viver com alegria e saúde.

O cão que pasou pelo procedimento andando na rua com sua tutora
Policarpo caminhando com sua tutora, Paula. Imagem: divulgação

O que aconteceu com Policarpo?

Policarpo foi diagnosticado com bloqueio atrioventricular de terceiro grau, uma condição que afeta o ritmo do coração, como se fosse um “curto-circuito” na fiação que controla os batimentos. Para entender melhor, pense no coração como um motor que precisa de eletricidade para funcionar. No caso de Policarpo, essa “eletricidade” estava falhando, causando os desmaios e a falta de equilíbrio. O procedimento para correção dessa condição já é amplamente utilizado na medicina humana, mas era inédito em cães no Uruguai.

Diante desse grande desafio, Paula Montagne, a tutora de Policarpo, buscou ajuda na Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade da República. Lá, uma equipe de veterinários corajosos e experientes, liderada pelo professor Alejandro Benech, decidiu realizar uma cirurgia inovadora: implantar um marca-passo no cãozinho.

O que é e como funciona um marca-passo:

Um marca-passo é um pequeno dispositivo médico eletrônico implantado no corpo para ajudar a regular os batimentos do coração. Ele emite impulsos elétricos que estimulam o coração a bater em um ritmo adequado quando este está muito lento ou irregular. O dispositivo é composto por um gerador de pulsos elétricos, uma bateria e eletrodos (fios) que transmitem os estímulos elétricos ao coração.

O marca-passo é geralmente indicado para pacientes que apresentam condições que diminuem os batimentos cardíacos, ou outras arritmias que afetam o ritmo normal do coração.

Imagem de raio-x mostrando o marca-passo do cão implantado
Raio-x do marca-passo implantando no cão. Imagem: divulgação

A jornada de Policarpo e a determinação de Paula

“Ele é um cão muito feliz, brincalhão e obediente quando quer”, descreve Paula. Policarpo foi abandonado e resgatado por seus atuais donos em 2012, com sarna. “Nós o trouxemos de volta, e até o ano passado ele estava vivendo uma vida divina”, ela disse. Então ele começou a desmaiar, a ficar cansado e a cair. “Percebi que era algo que precisava de tratamento urgente. E a partir daí, ele foi diagnosticado, fizeram um ecocardiograma, também um eletrocardiograma, e a partir daí puderam ver que ele tinha bloqueio atrioventricular de terceiro grau”, acrescentou.

Depois de algumas semanas do diagnóstico, o animal morreria se o marcapasso não fosse inserido“, explicou Benech. “Começamos o tratamento paliativo, e isso foi em novembro, e no final de janeiro, ele ainda estava vivo. Foi isso que me forçou, em parte, a procurar ajuda, porque ele é um animalzinho que já tem uma certa idade, 13 anos. Eu pensei que ele não ia sobreviver ao verão, e quando o vi, coitado, desmaiando, eu disse, vamos ter que fazer alguma coisa para dar a ele mais alguns anos”, ele disse.

Benech já havia pretendido fazer esse procedimento antes, mas precisava da colaboração de um cardiologista humano, então abandonou a ideia. “Estávamos procurando o procedimento há algum tempo. Devido a questões de custo, não podíamos fazê-lo. É por isso que não temos veterinários treinados nesse tipo de cirurgia. E eu encontrei o Dr. Alejandro Cuestas. Eu tinha falado com outros cardiologistas e não tinha obtido a resposta que obtive dele, e foi incrível. Ele veio com sua equipe de cardiologistas e técnicos, junto com os cirurgiões veterinários. Fizemos um pequeno ensaio antes; também não podíamos esperar muito tempo, porque Policarpo estava desmaiando todos os dias, e fomos embora”, disse ele.

O marcapasso utilizado é reciclado de uma pessoa. Nos humanos, eles são trocados antes de expirarem e têm um período em que podem ser reutilizados. Esses tipos de operações em animais já foram realizadas na região, mas essa foi a primeira vez no Uruguai.

imagem do cão de lado após a cirurgia
Policarpo logo após a implementação do marca-passo. Imagem: divulgação

A recuperação e a nova vida de Policarpo

Após a cirurgia, Policarpo se recuperou rapidamente e voltou a ter uma vida normal. A tutora do doguinho está radiante com a melhora do amigo e agradece à equipe médica por ter dado a ele uma nova chance de viver. A cirurgia de Policarpo não apenas salvou sua vida, mas também representa um avanço importante para a medicina veterinária no Uruguai. Agora, outros animais com problemas cardíacos graves poderão ter acesso a esse tratamento inovador.

“Ter a oportunidade e a disposição da equipe médica de ensinar nossos cirurgiões e continuar colocando-os no começo conosco, isso pode continuar sendo feito. E a verdade é que é uma alegria enorme, porque estávamos atrasados ​​nisso há muito tempo”, disse o veterinário.

Após a cirurgia, Policarpo está se recuperando bem e já voltou a suas atividades diárias, mostrando uma recuperação impressionante. O marca-passo implantado foi ajustado para manter sua frequência cardíaca a 100 batimentos por minuto, proporcionando uma vida mais saudável e ativa ao cão. A tutora de Policarpo expressou sua gratidão à equipe médica pela nova chance de vida que foi dada ao seu animal de estimação.

imagem da equipe médica que participou do procedimento
Equipe complata qeu participou da implementação do marca-passo no cão. Imagem: divulgação
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