Dicas para lidar com o comportamento dos filhotes

“Olá, pessoal! Minha Luna é uma SRD que vai fazer 1 aninho mês que vem. Desde pequena ela é bem bravinha, resmungona e de personalidade forte. A gente falava “não” e ela respondia com resmungos virando o rosto. Mas o problema mesmo é a mania dela de morder e cavar. Morder é como carinho para ela, pois quando ela está com saudades ou muito feliz, já era braços, pernas e até o rosto, se deixar ela chegar perto. Não consigo tirar essa mania dela e nem sei porque ela acha que isso é carinho. Sobre cavar, Luna é o terror. Não podemos tocar na caminha dela que ela fica olhando como quem diz “dá licença?!” e se você não sai ela começa a cavar o lugar desesperadamente e a morder/puxar a cama pra tentar tirar de perto de você e mesmo quando a gente sai, ela continua a cavar a cama por horas. Dormir na cama com ela é impossível pois ela também não para de cavar. Li uma vez que cachorros cavam para esquentar ou esfriar o lugar, mas não faz sentido pra mim, pois a Luna só cava e não deita onde ela cava. Tem algum motivo para isso ou ela só é meio doidinha mesmo? Obrigada!” – Nara Grilo, dona da Luna, de um ano.

“Como meu cachorro ainda é filhote e não tomou todas suas vacinas. Ele dorme na sala, mas na madrugada ele chora muito e me aconselharam a deixar ele chorar. Isso é a melhor forma de fazer ele aprender a parar de chorar?” – Mireli, dona do Zeus, de 50 dias.

Oii, tudo bom? Eu ganhei um cãozinho recentemente, uma mistura de poodle com maltes. Nos primeiros dias ele super se comportou, quietinho e tal. Mas a dois dias ele vem querendo destruir tudo que vê pela frente, e assim já foram dois pares de havaianas e dois carregadores de celular. Queria muito saber como faço para ajudá-lo a se comportar e não sair comendo essas coisas.  E tbm queria ensiná-lo a fazer cocô e xixi num canto específico, no caso seria num jornal que coloquei num catinho. Obrigada pela atenção. – Anyssa, dona da Paçoca, de 3 meses.

Por Ana Paula Ribeiro, adestradora da equipe Cão Cidadão.

Olá Nara, Mireli e Anyssa, tudo bem? Filhotinhos, que delícia! Aproveitem essa fase que, infelizmente, passa rápido! Inicialmente, é importante entender que filhotes precisam ser socializados, respeitando os cuidados de saúde indicados pelo seu veterinário. O filhotinho deve ser exposto a pessoas, barulhos, objetos diferentes, e quanto mais cedo isso acontecer, melhor. Desse modo, o filhote terá comportamentos melhores em resposta às situações estressantes. Para socializar, vocês podem, por exemplo, levá-lo para passear de carro ou no colo.

Ao chegar na sua casa, o filhote que, até então, estava com a mãe e os irmãos, tende a sentir falta e estranhar. Inicialmente, você pode, durante a noite, colocá-lo próximo e, aos poucos, acostumá-lo com o próprio quartinho. Mas, se levá-lo diretamente para o local onde deverá dormir, você pode colocar paninhos com o cheiro da mãezinha e com seu cheiro, um rádio ou uma TV ligados com o volume bem baixinho, ou ainda um relógio. Caso o cão chore durante a noite, você não deve ir buscá-lo.

Quando falamos de filhotinhos, outro problema comum são as mordidas nas pessoas e nos móveis. É necessário lembrar que eles ainda estão trocando a dentição e, nesse caso, o comportamento de morder tudo ocorre porque os dentinhos estão crescendo e a gengiva está coçando. Para esses filhotes, é legal dar coisas geladas (gelo ou brinquedos) para ajudar a diminuir o incômodo e, além disso, muitos brinquedos diferentes e específicos para cães. Assim, você estimula o mascote a morder coisas que ele pode.

Outro ponto importante é em relação ao banheiro. Para que não tenha nenhum problema, o ideal é levar o filhote, de tempos em tempos, ao banheiro, esperar ele se aliviar e recompensar logo em seguida (de preferência, com um petisco saboroso), o acerto do local correto. Em geral, após as refeições e durante ou após exercícios, os filhotes se aliviam. Assim, pelo menos, após as refeições, você deve levá-lo ao banheiro e recompensar. Rapidamente, o cãozinho associará o local correto. Por isso, preocupe-se, principalmente, com o local correto e nada de broncas enquanto ele estiver aprendendo.

Precisamos também perceber quando estamos recompensando, com carinho e atenção, o comportamento errado. Não faça isso porque, dessa maneira, o cão aprende rapidamente a repeti-los para ganhar atenção. Por exemplo: o cãozinho cava para que os donos se afastem da caminha e os tutores, em geral, se afastam (para que o cãozinho pare o comportamento rápido antes de estragar a caminha), ou gritam e brigam para o cãozinho parar. Essas duas atitudes recompensam esse comportamento e ele, provavelmente, repetirá toda vez que quiser que alguém se afaste ou dê atenção. Uma opção é mudar o foco do cãozinho pegando algo que ele goste de brincar, antes mesmo que ele comece a cavar, pois, assim, o cãozinho se afasta, não cava e começa a brincar.

O mesmo vale para mordidas, pois é muito difícil de ignorar, principalmente, quando dói. Uma sugestão é observar os gatilhos desse comportamento, ou seja, o que leva o cão a morder e o que pode ser feito para evitar que o comportamento se inicie. Eu uso muito um brinquedo, para que toda vez que o cãozinho venha brincar, ele esteja com um objeto na boca, ou então, deixo sempre um brinquedo por perto para eu dar a ele. Dessa maneira, é possível reduzir os riscos das  mordidas, pois, se não tiver brinquedo na boca, não tem brincadeira.

Educar é um processo que depende de repetição e consistência, por isso, mantenha o foco e comemore cada avanço. Lembre-se que, um bom profissional pode ajudar durante esse processo, desde que o foco seja o reforço positivo. Boa sorte!

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