O Hospital Veterinário da Universidade de Cambridge tornou-se o primeiro no Reino Unido a oferecer um tratamento pioneiro e minimamente invasivo para a doença do disco intervertebral (DDIV) em cães de pequeno porte. A injeção enzimática, desenvolvida em parceria com pesquisadores da Universidade Texas A&M, apresenta resultados excepcionais e oferece uma alternativa mais acessível às tradicionais cirurgias de coluna.

A doença do disco intervertebral (DDIV) é uma condição que afeta a coluna vertebral, comum em cães de pequeno porte, como Dachshunds e Shih Tzus. Ela ocorre quando os discos que amortecem as vértebras se deslocam ou rompem, comprimindo a medula espinhal e causando dor intensa, dificuldade de locomoção e, em casos graves, paralisia.
Como funciona a nova injeção para hérnia de disco em cães
O tratamento, denominado injeção percutânea intradiscal de condroitinase, consiste na aplicação direta de uma enzima nos discos intervertebrais comprometidos. Esta enzima dissolve a parte central do disco espinhal, aliviando a pressão sobre a medula espinhal que causa dor e paralisia.

Diferente das abordagens cirúrgicas convencionais, que exigem anestesia prolongada e recuperação mais demorada, este método é minimamente invasivo e pode ser realizado com um procedimento mais simples. A intervenção foi recentemente reconhecida pelo Royal College of Veterinary Surgeons como prática veterinária de rotina.
Mais tramentos que estão revolucionando a veterinária: Cachorro paralítico volta a andar: tratamento inovador no Brasil. Veja!
Resultados promissores do tratamento
No ensaio clínico realizado com 54 cães que haviam perdido a mobilidade devido à doença do disco intervertebral, os resultados foram impressionantes. Entre os 41 animais que ainda mantinham sensibilidade à dor, 38 (equivalente a 92% dos casos) recuperaram a capacidade de caminhar por conta própria em média 11 dias após o tratamento.
Desde que começou a oferecer o procedimento no início deste ano, o hospital de Cambridge já tratou 32 cães. Destes, 24 se recuperaram completamente, quatro aguardam avaliações de acompanhamento e quatro não obtiveram sucesso devido a lesões medulares potencialmente irreversíveis já presentes quando iniciaram o tratamento.
“Esta não é uma cura milagrosa, mas é uma nova opção promissora para alguns cães com lesões graves na medula espinhal causadas por hérnia de disco”, afirmou Paul Freeman, especialista europeu em neurologia veterinária e investigador principal do estudo.
Estudos no Brasil: Osteoartrite canina: USP desenvolve nova formulação anti-inflamatória 2x mais eficaz
Impacto para raças predispostas como Dachshunds
A doença do disco intervertebral afeta aproximadamente 25% dos dachshunds no Reino Unido, além de ser comum em outras raças de pernas curtas. O novo tratamento representa uma esperança para tutores dessas raças geneticamente mais suscetíveis ao problema.
Um caso de sucesso relatado é o do dachshund Milo, que voltou a andar sem dificuldades apenas uma semana após receber a injeção. Charlotte Baldwin, fundadora da organização britânica Dedicated to Dachshunds, comemorou: “Poder encaminhar os proprietários para uma opção menos invasiva e mais acessível é extremamente encorajador. Isso dá aos tutores uma escolha real em como lidar com a DDIV.”

Embora o tratamento esteja disponível apenas no Reino Unido por enquanto, a técnica representa um avanço significativo que pode chegar a outros países nos próximos anos.
Veja como previnir: Prevenindo problemas de coluna do Dachshund: dicas práticas