Black Pet Friday e o cenário ainda continua: pets pretos seguem sendo os últimos a serem adotados. Saiba mais sobre a campanha.

Uma campanha nacional que aconteceu durante o mês de novembro buscou combater um problema surpreendente: cachorros e gatos de pelagem preta são os últimos a conseguir um lar nos abrigos brasileiros. Cerca de 30% dos pets em abrigos têm pelagem escura e enfrentam longos períodos de espera por adoção, segundo levantamentos de organizações de bem-estar animal.

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Filhote com pelagem preta. Foto: petlove

Por que cachorros pretos enfrentam preconceito na adoção?

O preconceito contra pets de pelagem escura tem raízes profundas. Antigas superstições associam estes animais a mau agouro, especialmente no caso dos gatos. Mas os cachorros pretos também enfrentam resistência por parte dos potenciais tutores.

Mariane Mazzon, fundadora do Instituto SOS 4 Patas Paraná, confirma esta realidade preocupante. “Nós fizemos um evento chamado ‘Black Love Day’ e só dois foram adotados. Gravamos um vídeo mostrando que esse preconceito existe e conseguimos algumas adoções depois disso”, relatou em entrevista.

Os casos são comoventes. “O Caio foi um desses animais adotados, ele ficou quatro anos morando com a gente, esperando para ser adotado”, lembra Mariane. Outro exemplo citado é o da cachorrinha Maçã, que permaneceu por mais de três anos no abrigo, tanto pela pelagem preta quanto por ter problemas nas pernas.

Veja esse projeto: Fred Levy registra cães de pelagem preta e cria o “Black dogs project”

Campanha “Black Pet Friday” mobiliza ONGs em todo Brasil

Para reverter este cenário, a empresa Organnact, referência nacional em suplementação nutricional para animais, lançou a campanha “Black Pet Friday: gato e cachorro preto? SORTE de quem tem!”. A iniciativa, realizada em parceria com ONGs de todo o Brasil, busca desmistificar superstições e aumentar os índices de adoção.

 

 

 
 
 
 
 
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Durante todo o mês de novembro, as organizações parceiras promovem feiras de adoção dedicadas exclusivamente a pets pretos. Tutores que adotarem receberão kits especiais com produtos e materiais educativos sobre bem-estar animal.

A iniciativa surge em um momento crítico. Mariane revela uma situação alarmante: algumas protetoras já estão evitando resgatar animais de pelagem preta das ruas, pois sabem das dificuldades para encontrar-lhes um lar, enquanto os abrigos já estão superlotados.

Betty Gofman e outras personalidades apoiam a iniciativa

Entre as apoiadoras da campanha está a atriz Betty Gofman, engajada há anos na causa animal. Em entrevista, ela comparou o problema a uma forma de discriminação: “A gente vê que tem um racismo até mesmo com os bichinhos. E eles sofrem muitas crueldades na rua”.

Betty destacou a importância do papel das figuras públicas nesta causa. “Por já sermos conhecidos, nós figuras públicas temos uma voz, a gente é ouvida. É muito importante usar disso para boas causas. Podemos servir como exemplo, inspiração. Já ouvi uma pessoa falando que ia comprar um cachorro, mas quando me ouviu decidiu adotar.”

A atriz, que é vegetariana e defende ativamente os direitos dos animais, considera a campanha fundamental para mudar mentalidades: “Quero é que todo mundo faça esse tipo de campanha que conscientiza e luta contra esse preconceito, porque os bichinhos pretos também são maravilhosos”.

Leia: Cachorro vira-lata preto: o companheiro incomparável

Histórias de sucesso: famílias que adotaram cães pretos

A campanha também destaca histórias reais de adoções bem-sucedidas, como a de Nathalia Tonet, diretora de marketing que adotou a cadelinha Dora, de pelagem predominantemente preta.

“Quando bati os olhos na Dora, foi amor à primeira vista. Foi uma decisão espontânea, mas ter acesso aos dados de adoção dos animais de pelagem preta fez sim diferença na escolha. Quis fazer minha parte para mudar esse triste cenário”, conta Nathalia.

A tutora menciona que já conhecia o preconceito, principalmente em relação aos gatos pretos, e isso influenciou sua decisão. “É algo tão absurdo que não parecia nem real”, afirma. A chegada de Dora, que tem apenas uma pequena faixa branca no pescoço e peito, transformou a rotina da casa.

“Ela trouxe mais amor e alegria onde eu achei que nem fosse possível caber mais. Estamos grávidos do nosso primeiro filho, que nasce no final de janeiro. Não há felicidade maior de saber que chegarei em casa e ela estará esperando”, diz Nathalia, destacando que os animais retribuem o carinho “na mesma moeda e com muita gratidão”.

 

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