Você já ouviu falar na vacina contra giardíase para cães? Embora esteja disponível em algumas clínicas, essa vacina não é obrigatória e tampouco recomendada por especialistas.
A giardíase é uma doença com tratamento acessível, e a vacinação, nesse caso, levanta mais dúvidas do que benefícios reais. Neste artigo, vamos explicar o que é a giardíase, quais os riscos da vacinação e o que dizem as principais autoridades da medicina veterinária.

O que é giardíase?
A giardíase é uma doença causada por um protozoário chamado Giardia duodenalis. Ela afeta o intestino de cães e humanos, sendo considerada uma zoonose de distribuição mundial.
A transmissão é principalmente pela ingestão acidental de água contaminada ou alimentos crus e mau higienizados que tiveram contato com fezes infectadas. A transmissão ocorre por via oro-fecal, ou seja, quando o cão entra em contato direto ou indireto com cistos do parasita eliminados nas fezes de outro animal. Esses cistos se alojam no intestino delgado, onde o protozoário se multiplica e inicia um novo ciclo de eliminação nas fezes.
A contaminação pode acontecer em ambientes públicos, como ruas e parques, especialmente se o cão lamber ou cheirar locais onde houve presença de fezes contaminadas. Uma vez eliminados no ambiente, os cistos podem permanecer viáveis por semanas ou até meses, favorecendo a reinfecção ou o contágio de outros animais.

Os principais sintomas nos cães são episódios de diarreia, que podem variar de leves a mais intensos, e as clássicas fezes com muco. Em filhotes e animais debilitados, a infecção pode comprometer a absorção de nutrientes, levando à perda de peso e debilidade, tornando os casos mais graves.
Apesar disso, a giardíase é considerada uma doença tratável, com protocolos terapêuticos eficazes e disponíveis nas clínicas veterinárias.
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A vacina contra giárdia é segura e eficaz?
A vacina contra Giardia duodenalis está disponível no mercado, mas sua eficácia é amplamente questionada. Em nota técnica publicada em março de 2023, a Associação Brasileira de Gastroenterologia Animal (ABRAGA), respaldada pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), foi clara ao afirmar que não há evidências de que essa vacina previna a doença, que é o principal objetivo de qualquer imunizante.
Além disso, a nota alerta para outro ponto importante: a vacinação promete atenuar os sintomas clínicos, como a diarreia, e isso pode retardar o diagnóstico, sendo um vilão na saúde do seu dog.
Como muitos tutores só procuram atendimento veterinário diante desses sinais, a diminuição dos sintomas pode mascarar a doença e atrasar o início do tratamento adequado.
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O que dizem as entidades veterinárias?
A ABRAGA baseou sua análise no Consenso Internacional de Vacinação em Cães voltado para a América Latina, publicado pela Associação Mundial dos Médicos Veterinários de Pequenos Animais (WSAVA) em 2020. A recomendação é de cautela e senso crítico quanto ao uso da vacina contra giárdia em cães.
A entidade reforça que somente médicos veterinários têm competência para decidir quais vacinas são indicadas para cada animal. Estabelecimentos comerciais, como pet shops, creches ou hotéis para cães, não devem exigir essa vacinação como critério para atendimento ou hospedagem, sob risco de infringir o código de ética profissional.

O que fazer para prevenir a giardíase?
Como a vacinação não é recomendada, a melhor forma de prevenção é cuidar da higiene e do ambiente em que o cão vive. Algumas medidas importantes incluem:
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Garantir acesso a água potável e limpa
- Lavar os potes de água e comida diariamente
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Evitar contato com fezes de outros animais
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Manter o ambiente higienizado
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Fazer exames fecais periódicos em caso de suspeita
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Seguir corretamente o tratamento quando indicado pelo veterinário